segunda-feira, 26 de janeiro de 2009

"O tempo e a câmera"


Assisti O curioso caso de Benjamin Button, com Brad Pitt e Cate Blanchet, um filme com 13 indicações ao Oscar. O tema é o tempo. O nosso tempo: pessoal, misterioso, intangível e inexorável. Me lembrou um filme estranho, Youth without youth (Dir. Francis Coppola, 2007), baseado numa novela de Mircea Eliade. O personagem, Dominic Matei, um professor de filosofia já idoso e prestes a se suicidar, é atingido por um raio. No hospital ele se recupera e começa a rejuvenescer e encontra um novo caminho para sua vida. Há alguma similaridade com Button.
Benjamin Button nasce velho e lentamente começa a tornar-se mais jovem até virar um bebê e morrer. Se pudéssemos manipular o tempo, ter mais alguns anos de vida, beber do elixir da juventude ou da imortalidade, seríamos felizes? Eliminaríamos o sentimento de angústia que perpassa nosso ser? Provavelmente não. A literatura e cinema nos mostram que Todos os homens são mortais (romance de Simone de Beauvoir) e, se fôssemos vampiros seculares (Anne Rice, Stephanie Meyer) ou imortais (Highlander, Simone de Beauvoir...), nem por isso seríamos completos e realizados. A dimensão humana é limitada e só podemos viver sendo companheiros dessa sensação incompreensivel e, segundo Sartre, absurda.
Sinto o que digo, este ano farei 50 anos e isso é um turning around point (ponto máximo de retorno, na aviação comercial) na minha vida, assim como foi ou será na sua se você sobreviver até lá.
Fui buscar um antigo texto que escrevi quando fazia o mestrado em filosofia. O texto foi publicado na revista Reflexão da PUC-Campinas (ano XII, nº 39, 1987, p. 11-18) e seu título é o mesmo desta postagem: o tempo e a câmera. Nele cito filmes de Coppola (Apocalipse Now, Rumble Fish e Outsiders), Highlander ... Em novembro de 2007, estava em Nice e fui assistir esse obscuro filme (Youth...) justamente por causa de Coppola, um dos diretores que marcou minha história, e Mircea Eliade, para mim o mais delicioso escritor sobre mitos e religiões comparadas. Senti, em 2007, o mesmo que senti ao escrever o texto em 1987 e o mesmo que senti ao assistir Benjamin Button este final de semana. O que sinto? Talvez A insustentável leveza do ser ou a familiar sensação de estranheza, tão ricamente descrita por Juan Jose Saer. A única coisa que mudou foi o passar do tempo, que me é lembrado a cada manhã pelo meu espelho e, muitas vezes quando escrevo, pelo labirinto de minha vida. Espelhos e labirintos, tigres e bibliotecas, a vida expressa na simbologia tão rica de Borges.
Que nos resta? Segundo Sartre e vários psicanalistas, uma possibilidade é justamente a arte e a cultura.
Termino com Alvares de Azevedo:
"Sou o sonho de tua esperança
tua febre que nunca descansa
o delírio que te há de matar."
Obs. Assista ao filme.

terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Lejano Sur - Final

Fotos: Luiz GG Trigo

O regresso foi em dois dias: Punta Arenas/Santiago, na noite de 15 JAN, com a LAN; e o voo de Santiago/São Paulo, no dia 16, com a TAM. O primeiro trecho foi bem agitado.

Essa foto foi tirada de dentro do aeroporto de Punta Arenas, às 22h30. Note que o avião não está posicionado junto à passarela telescópica (finger) de acesso. O motivo era o forte vento que assolava a área.
O voo atrasou uma hora. Estava previsto para 23h00 e decolou à meia-noite, por causa dos ventos que sacudiam a aeronave no solo.


O embarque foi feito pelo páteo, em meio aos fortes ventos gelados. Tivemos que tirar óculos, bonés, chapeús e qualquer objeto que pudesse ser arrancado pelo vento. Sentamos e esperamos quase uma hora para partir. O avião estava com 100% de ocupação e em pleno voo um passageiro passou super mal o que causou uma pequena agitação a bordo. Chegamos às 03h00 em Santiago.

No dia seguinte fui para o aeroporto para o embarque final. Estava uma festa no embarque da TAM porque uma turma de jovens regressava vitoriosa. São garotas e garotos de Curitiba, do time de voleibol do Círculo Militar do Paraná.



Trouxeram de volta troféus pelas suas vitórias e, segundo me comentaram, ótimas impressões do país que os hospedou.


Claro que voltar vitorioso ajuda a moral de qualquer pessoa que gosta das boas coisas da vida.

Para quem gosta de artesanato um bom endereço é El pueblito de los Dominicos, uma grande vila onde dezenas de lojas vendem artefatos de todos os tipos e materiais. No aeroporto, depois do check in, o destaque a lojinha Roncaly.

Cores suaves, formas bem feitas e design que mescla influências populares e técnicas profissionais de confecção artasanal contemporânea, marcam os produtos da loja.

Alto astral nas compras. Há também bichos de pelúcia regionais (pinguins, morsas, leões-marinhos, guanacos...), vinhos, roupas, badulaques e os indefectíveis souvenirs estereotipados de aeroportos e rodoviárias.

O orgulho da TAM:

O Boeing 777 novinho e imenso. Super confortável, amplo e lindo, mas os equipamentos eletrônicos de entretenimento individual a bordo enchem muito a paciência porque vivem dando pau.

Aproveitei uma promoção especial de up grade para a classe executiva - cool. Inclusive a comida e os vinhos surpreenderam muito favoravelmente.

Self portrait staring the sky...

Os Andes, espinha dorsal do continente, berço de culturas míticas, teto latino, ninho de condores...

Go east!


O céu de São Paulo, visto na chegada.

Home, gourgeous home.

Aterrisando em Guarulhos. Os prédios, bem ao centro, são do campus da EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP).

Lejano Sur - a bordo

Fotos: Luiz GG Trigo
A vida à bordo não tem nada a ver com os cruzeiros marítimos nos navios imensos, com dois ou três mil passageiros, e sim com os navios pequenos onde o serviço é mais personalizado. Nesse cruzeiro eram 70 passageiros e 33 tripulantes. A comida era excelente, farta mas não em excesso. Bufê de café da manhã com poucos e ótimos itens; almoço empratado, sempre com opção para vegetarianos ou dieta especial; chá das cinco horas da tarde; jantar empratado com entrada, prato principal e sobremesa, sempre leve e saudável.


A cada noite o capitão Constantino Kochifas Cárcamo (nascido em 1931), proprietário de vários barcos de pesca e idealizador dos cruzeiros Skorpios, dava as boas vindas, avisos e comentários, sempre com bom humor. A mensagem era clara: sintam-se em casa e comportem-se como uma família. A bordo são vendidos livros com a biografia do capitão e com as fotos e roteiro da viagem do Skorpios III, além de lembranças, roupas e badulaques com a marca da emoresa.

Na última noite do cruzeiro há um bufê de frutos do mar, mariscos e pescados chilenos. É a única noite onde há um excesso de comida.

Brasileiros são comuns a bordo, mas em pouco número. Além de nós havia apenas essa outra família de São Paulo (Antonio, Rosilene e filhos, Bruno e Thiago). O estilo do navio (slow travel) agrada aos que já tem experiência em viagens, falam inglês e espanhol (as línguas de bordo), não querem baladas barulhentas e apreciam o silêncio e a contemplação. Há muitos idosos (o top era um senhor norte-americano de 90 anos) em ótima forma para andar pelas trilhas e áreas geladas e rochosas.

Todos os tripulantes são chilenos. Educados, sóbrios e discretos, garantem um serviço atencioso e competente.

Em nossa mesa havia esse casal suiço-alemão, Paul e esposa, vistos ao lado de Laderlei e Celi. No começo ele estava arredio às brincadeiras mas tornou-se um companheiro divertido e integrado ao nosso estilo mais, digamos, informal.

Alguns do pratos do bufê: chocolate com molho de frutas vermelhas.

Abacate com centollas. Centolla é um caranguejo gigante (similar ao king crab das águas frias do norte), um prato típico da Patagônia chilena e argentina e muito apreciado. É um prato saboroso, forte e caro. Pode ser encontrado no mercado central de Santiago e nos bons restaurantes chilenos.

Mariscos como locos ou machas são outros frutos do mar típicos da região.

A parte das sobremesas é sempre um delírio calórico que deve ser degustado sem culpa ou vergonha. Como diria Garfield, dane-se a dieta.

O capitão e sua senhora, Mimi. Ela é a responsável pela cozinha e pela governança hoteleira de bordo. Impecáveis e severos, amáveis e atenciosos, o casal cumpre as funções plenas para um cruzeiro agradável. A ponte de comando, casa das máquinas e cozinha são liberados para visitação, ao contrário dos outros navios.

O leitão e o cordeiro patagônico são outras delícias da região.
E assim acaba o cruzeiro no Skorpios. O capitão Constantino acabou com o verbo veranear no Chile e introduziu vacacionar. Assim como na Escandinávia, na antiga Inglaterra e norte da França, as águas frias chilenas entraram no roteiro turistico global graças ao planejamento e empreendedorismo de Constantino e sua equipe. Dá-lhe Chile, um dos lugares mais agradáveis deste continente.

segunda-feira, 19 de janeiro de 2009

Lejano Sur - más glaciares

Um casal de amigos e seu filho foram juntos comigo na visita técnica. As fotos a seguir são de autoria desse amigo e mostram a sua visão de turista experimentado frente à natureza selvagem.

Fotos: Laderlei Mangoni

Sentar no último deck para apreciar a paisagem (glaciar Amalia) era uma das experiências repousantes da viagem. Degustar foi um dos verbos mais existencialmente conjugado a bordo. Outro foi desestressar.


Laderlei, Luigi e eu, na parte mais importante do barco, analisando e selecionando as fotos (foram mais de mil), discutindo as atividades e degustando a cultura em taças (Henessy).

As montanhas possuem algo místico para nós, que vivemos em um país com poucas e desgastadas elevações. Conheço os Andes, Pirineus, picos da Europa, Alpes, Rochosas, cordilkheira Antárctica, Mantiqueira e sobrevoei parte dos Himalaias. Mas encaro os Andes como experiência particular mais profunda e significativa para mim.

Flores e neve.

Rochas e gelo.

Bosques e restos dos glaciares que se precipitam, desde milênios, nos leitos dos canais cristalinos e ricos de vida da Patagônia.

Um truque legal: lente da câmera acoplada ao binóculo.

Encalhou nada, o barco deslizava sobre os gelos. Claro que as piadinhas nada originais envolvendo o Titanic vieram à tona.

Essa visão do mundo, a partir de navios, enfeitiça a humanidade por milênios. I la nave va...

... o destino é a viagem.

Essas "cavernas" se formam pelo movimento constante da água e, de repente, uma parede de gelo cai com um estrondo parecido ao de um trovão nas aguas profundas, formando respingos imensos e ondas sucessivas. É bom não estar por perto em um barquinho.

Os picos dos glaciares são esculpidos pelos ventos, pelo sol e pela própria massa de gelo. Lembrei de Solaris, do Estanislaw Lem.

Essas ficaram legais. No voo de ida, o céu estava limpo entre Puerto Montt e Punta Arenas e Laderlei pode fotografar os picos vulcânicos.

Essa é uma foto clássica. Under the volcan...

sábado, 17 de janeiro de 2009

Lejano Sur - the cruise: fjords and glaciars

Fotos: Luiz GG Trigo
Há dois navios Skorpios: o II, construído em 1988 para 130 passageiros e o III, construído em 1995, 1.240 toneladas e capacidade para 110 passageiros. Em nosso cruzeiro (Skorpios III) havia 70 pax. A rota do navio chama-se KAWESKAR. Sai de Puerto Natales rumo norte, aos glaciares Pio XI; glaciar Amalia, no campo de Gelo Sul; fiorde das montanhas; fiorde Calvo; fiorde Antrim; e glaciar El Brujo. O ponto mais ao norte da rota é a vila de Puerto Eden, onde vivem umas 200 pessoas. Entre Puerto Natales e Puerto Eden (uns 500 km) não há um ser humano vivo. Apenas os 33 tripulantes e os passageiros do navio para contemplar alguns dos mais espetaculares cenários do planeta.
Mesmo no verão as temperaturas oscilam entre 7º e 14º C. Com o vento, a sensação térmica é de temperatura ainda mais baixa, é bom sair protegido para o deck. E, claro, óculos escuros. O índice de radiação ultravioleta em Punta Arenas é alto, cerca de 8, quase o mesmo dessa área mais ao norte.

Águas límpidas nos fiordes profundos, estepes verdes nos vales, bosques exuberantes nas partes baixas das montanhas, cumes cobertos de gelo e neve nos topos e glaciares deslumbrantes. São seis dias degustando a paisagem, a gastronomia e ... o open bar.

Casal de amigos que participou da viagem, Celi e Laderlei.

Barcos de apoio levam os passageiros a setores inacessíveis aos navios maiores. As águas são sempre geladas e o uso de colete salva-vidas é obrigatório em todas as saídas do navio.

Home, floating home... alone in the wilderness.

Durante o passeio, pelos fiordes, ao entardecer.
Cascatas de águas puras descem alimentadas pelo degelo. o Skorpios para em um desses fiordes para se abastecer de água.

Bosques...

... e gelos glaciais.


Aventura e contemplação da natureza, nas formas mais radicais. Esses são dois dos tenders do navio (barcos salva-vidas), usados nos passeios para observação mais próxima dos glaciares e desembarque nas poucas praias rochosas.

Neste dia, no glaciar Pio XI, o céu estava azul, sem nuvens e com um ar frio na atmosfera que deixava nossos pulmões turbinados e os neurônios extasiados.

O gelo é colorido, reflexivo ao sol, possui formas delirantes e...

... facetas perigosas. Nem pense em subir num iceberg ou glaciar. As gretas (fissuras visíveis na foto) são traiçoeiras ao peso de um animal e as camadas de gelo não compactadas podem se romper por quase nada.

Mar e montanhas de gelo e de rocha.

E barcos.

E silêncio.

E espanto pelas belas obras que o planeta nos oferece.

O Skorpios tangencia o gelo.

Above the ice. Don´t worry, it´s quite safe.



Luigi, filho de Laderlei e Celi. Ótimo companheiro de viagem e aprendiz de piadas infames.

Dá uma vontade de nadar...

... mas me contenho.

Slow travel. Este é o conceito de turismo no Skorpios, assim como em alguns outros lodges, resorts e barcos do mundo. Lay back, relax and enjoy.

No rush. No panic. No worries.



Lejano Sur - the cruise: Torres del Paine

Fotos: Luiz G. G. Trigo
Uma aventura mais radical pela natureza chilena se faz pelos parques, fiordes, canais marítimos e lagos, bosques e montanhas de seu extremo sul. A região da cidade de Puerto Natales é dominada pelo Parque Nacional Torres del Paine, o mais importante do Chile, e pela Cueva del Milodon.


E os arredores da cidade são os lagos e a cordilheira com seus topos gelados, mesmo no frio verão local.

A gastronomia é deliciosamente instigante. Aí estão os restos de um cordeiro patagônico devorado com requintes pantagruélicos no Carlitos, um restaurante bom e gostoso de Puerto Natales.

Se comer demais não dirija: durma sobre as águas frias e plácidas.

Era um belo hotel, até que um soldador descuidado no último andar por fogo na casa.

Puerto Natales, a três horas de carro de Punta Arenas (ou 260 km), é a tranquilidade austral em pessoa.

Nosso navio, o Skorpios III. A primeira noite (opcional) é passada a bordo mas com ele atracado, pois na manhã seguinte há o passeio para Torres del Paine.

Até os ônibus locais se enfeitam para atender um criuzeiro tão descolado.

No meio dos vales da montanhas, a equipe do Skorpios monta o almoço: sanduíches, carnes, saladas e muito vinho.

Ver, contemplar...

... relaxar ouvindo o vento e os pássaros ao longe.


Os bosques nos planaltos...

... e as áridas torres del Paine, em meio à bruma.


Ou à luz clara do céu.


Água e rochas.





Fauna local: guanaco, um tipo de llama do Chile. Já cruzaram llama com guanaco, deu llanaco (sério).

Ovelhas criadas soltas e largadas nas imensas planícies patagônicas. O final da história é aquela foto com os pratos devorados.

El gaúcho y sus perros, responsable por las ovejas

Olha como o milodón é importante.

E aí está o famoso milodón (à esquerda), um bicho pré-histórico, herbívoro e grandão que vivia por lá e já está extinto.

O interior da caverna do milodón, que serviu também para antigos grupos humanos.

Essa frutinha pequenininha é o calafate, que dá nome ao famoso parque nacional argentino, do outro lado das montanhas. Eu comi. É amarguinha, um tipo dessas berries formosas das áreas mais frias.


quinta-feira, 15 de janeiro de 2009

Lejano Sur - cruzeiro Skorpios

Acabei de regressar de um cruzeiro pelos fiordes, glaciares e canais marítimos do extremo sul do Chile a bordo do Skorpios III. Foram seis dias em uma paisagem quase totalmente inabitada por seres humanos, com uma beleza selvagem fantástica e sem internet, celular ou notícias do mundo exterior.

Estou em trânsito por Punta Arenas, rumo a Santiago e Sao Paulo. No sábado postarei as fotos.

Hasta la vista

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Lejano Sur (4) - Cosas de Punta Arenas

Texto e fotos: Luiz G. G. Trigo
Postado no Chile (teclado sem til e cedilha)
Operacao turística: Orecap Campinas, Luiz Timossi

A escultura El ovejero é típica da cidade. É um pastor de ovelhas.


É meu último dia em Punta Arenas. Para saber mais é só acessar o site.

Comidas exóticas oferecidas em alguns poucos restaurantes: guanaco, ñandu e caiquen (aves), coelho e avestruz.

Essa igreja é dos padres católicos Salesianos. Ao lado está o museu etnográfico, histórico e geográfico de Punta Arenas, visita obrigatória. Outros museus interessantes sáo o Museu Naval e o Museu Regional, situado em uma antiga casa de burgueses locais.

Dentro do Santuário um imenso presépio.

Dezenas de figuras, lâmpadas e cenários fazem parte do presépio.

O cemitério de Punta Arenas é um ponto turístico importante. Há todo tipo de tumbas e monumentos. Essa, acima, é de germânicos.

Há placas indicando as celebridades sepultadas.

Além dos túmulos básicos, há mausoléus e obras de arte. No Brasil, a profa. Samira Adel Osman fez um estudo sobre os cemitério Consolacao e Araca, em Sao Paulo. O cemitério Sao Joao Batista, no Rio, é outro famoso.

Mas há também belos jardins e plantas no imenso parque fúnebre.

Essas árvores sao típicas da Patagônia e os jardineiros as podam direitinho, formando verdes cones naturais.

Essa é a árvore mais formosa e frondosa do cemitério.

Os cones vegetais formam alguns corredores com visual bastante exclusivo.

Algumas culturas tem uma postura existencial bem resolvida com a morte, como é o caso do México. Neste cemitério chileno há túmulos decorados com um capricho extremo e mantidos absolutamente limpos.

E com gente que saiu de cena de bem com a vida. Veja a elegância do Sr. Grimaldi:
"De todo homem conquistei a simpatia
de toda terra desfrutei seus frutos
a gota de suor caiu de minha fronte
e o pao que comi teve um bom sabor."

Esse outro Sr. Grimaldi possui pendores panteístas e mostra que adorou sua terra natal:
"Vivi em teu amor, minha amada Punta Arenas
no longo tempo que me alentou a vida
hoje sou em ti mais terra da tua terra
e te canto meu silênci oa cada dia."
Meu amigo e ex-professor, Régis de Moraes, dizia que devemos sair da vida como quem sai de um banquete: satisfeito e agradecido.

Esse jovem e alegre casal passeava tranquilamente pelo cemitério e de bom gosto posou para o blog. Larga vida a la pareja.

Também os mais velhos passeiam relembrando seus mortos e seu passado.

Algumas culturas possuem seus santos populares locais. O Pe. Luiz Roberto Benedetti, da PUC-Campinas, possui um texto belíssimo intitulado O deus nômade e os santos estabelecidos, sobre religiosidade popular, pesquisado no cemitério da Saudade de Campinas (SP). Punta Arenas tem El indiocito (o indiozinho).

Sua história: "O índio desconhecido chegou desde as brumas das dúvidas histórica e geográfica e jaz aqui sob o pátrio amor da chilenidade eternamente." Foi um garoto indígena, encontrado morto e enterrado em solo cristao. As pessoas fazem preces e colocam flores, placas e enfeites demonstrando seu agradecimento e fé.

Essas facetas culturais formam o imaginário riquíssimo das culturas locais e mostram pontos importantes do passado.

Por detrás dos muros do cemitério, algo pós-moderno assoma.

Alguns túmulos tem pequenas vitrinas decoradas e tematizadas. Veja as motos...

... ou o carrinho, entre os vasos de flores.

É o túmulo de uma crianca, coberto de brinquedos, catavento e flores. Cores vencendo a saudade.
Amanha vou para puerto Natales e depois embbarco no navio Skorpios. Talvez seja impossível postar pois esttarei nos canais, fiordes e geleiras do Chile. Hasta la vista.

Lejano Sur (3) - Punta Arenas: turismo y poesia

Fotos e texto: Luiz G. G. Trigo
Obs. Clique na foto para ampliar
Postado em Chile (teclado sem til e cedilha)
Operacao turística: Orecap Campinas, Luiz Timossi

Este quiosque de atendimento turístico fica na Plaza de Armas, a principal de Punta Arenas, onde em suas laterais localizam-se a Catedral católica, prédios históricos e o hotel Cabo de Hornos.

Uma equipe atenciosa e bem informada atende às pessoas, a maior parte estrangeiros. Há folhetos, mapas e revistas disponíveis e atendimentos personalizados de acordo com os interesses turísticos e disponibilidades de gastos das diferentes pessoas.

Esse aí, por exemplo, é um brasileiro com o filhote pendurado, ambos em busca de aventuras.

O teto do quiosque em madeira e vidro. Bonito, né? Esse é um dos 3 centros de informes turísticos que vi em Punta Arenas, o outro é da Associacao de Empresarios de Turismo e o outro é do governo federal. Todos bem equipados e com gente muito bem informada para atender os viajantes.

Passava em uma rua e vi o interior dessa agência de viagens. Coloridíssimo.

A poesia chilena é famosa e o astro maior foi Pablo Neruda, ganhador do Nobel de literatura. Em seu livro Confesso que vivi, há uma passagem linda sobre os bosques do Chile.

Nos arredores de Punta Arenas localizam-se cinco painéis, cada um com 25 azulejos em ambos os lados, posicionados na costanera, uma avenida distante do centro, em frente à Zona Franca de Punta Arenas.

A água é o estreito de Magallanes, link entre o Atlântico e o Pacífico. Do outro lado, bem longe, vê-se a linha costeira da Terra del Fuego, uma das maiores ilhas da América do Sul, onde está Ushuaia (Argentina) a cidade mais austral do mundo. Se falarem que Puerto Williams é mais austral ignore, pois é apenas um pueblito chileno localizado um pouquinho mais ao sul, nao uma cidade.

Ao fundo está Punta Arenas. Quase ninguém passa por aqui, os poucos carros que usam essa via secundária dirigem-se à Zona Franca em busca de bebidas, perfumes e eletrônicos, mas a Zona possui uma entrada principal do outro lado. A iniciativa de colocar os painéis com poesias de artistas da Patagônia, muitos com temas sociais e críticos, foi da municipalidade. Para que colocar poesias em painéis de pedra em locais ermos e afastados? Por que a poesia é bela e existencial. E instigante. Uma escultura, um painel ou uma estrutura arquitetônica dá para ver de passagem, de dentro do carro. Porém para desfrutar dessa arte é preciso estacionar o carro ou andar até lá, ler devagar os textos em pedra, refletir sobre eles e, de repente, lá está o mar e o vento do sul alisando nossas peles, os cabelos (daqueles que os possuem) e nossas almas (se você se permitir). A poesia nos azulejos integra-se à natureza selvagem e no silêncio nos envolve. É uma arte para ser sentida. Slow art. Slow travel. Leia por você mesmo...




O céu, o mar, o vento e o imaginário. E o observador, o leitor, o viajante.

É. "O poeta espera um trem de outras épocas..."

quarta-feira, 7 de janeiro de 2009

Lejano Sur (2) - Naturaleza selvaje y soledad

Dica vintage: na postagem anterior falei de um texto meu sobre a Antarctica, com dez anos de idade. Aqui está o link do resumo, em francês. Foi uma apresentacao no Summit of Tourism em Chamonix, Franca. O texto em português foi publicado no Brasil na revista Turismo Visao e Acao da Universidade do Vale do Itajaí - Univali, SC.

http://www.sommets-tourisme.org/f/sommetsG/cinquieme-sommet/actes/trigo.html

Fotos e texto: Luiz G. G. Trigo
Obs. Para ampliar as fotos basta um clique do mouse sobre elas.
Postado no Chile (teclado sem til e cedilha)
Viagem organizada pela Orecap Campinas, Luiz A. Timossi




O Chile e a Argentina possuem uma seriedade e competência no que se refere a preservar o meio ambiente e a vida selvagem. Na Patagônia há vários refúgios e santuários naturais onde a vida animal e vegetal está razoavelmente protegida.


A ilha Magdalena, um monumento natural chileno, está localizada a meia hora de barco, nos arredores de Punta Arenas.

Nas últimas a ilha décadas tornou-se um paraíso para os pinguins Magallanes. No século passado tentaram criar ovelhas, mas a inexistência de água potável inviabilizou o projeto. Depois tentaram criar coelhos mas os pinguins atacavam os bichos. Decidiram deixar o território exclusivamente para eles que lá ficam todo o verao. No inverno saem para águas mais quentes e assim acabam no Brasil. No último inverno chegaram na Bahia e os sobreviventes tiveram que ser enviados de volta. O pessoal do Monumento Natural (a ilha) sabia disso e elogiou a inciativa. Lá ficam três funcionários, substituídos a cada dez dias, e um estagiário de biologia da Universidad Magallanes. Como nao tem inernet, o cara já estava cheio do trabalho.


O pessoal da agência disse que eram uns 150 mil pinguins. O pessoal da ilha falou em uns 100 mil. Eu contei até 98.765, mas é possível que alguns estivessem escondidos ou passeando... Notem que todos os pinguins já nao possuem mais trema, de acordo com a nova ortografia.

Há vários pássaros: gaivotas, cormoroes, albatrozes.

O paraíso ecológico é a alegria dos turistas. Aí está um coreano abestado pela paisagem.

Este é o barquinho que nos levou: 10 passageiros (4 alemaes, 2 israelenses, 1 coreano, 2 belgas e eu) e 2 tripulantes chilenos. É um inflável com estrutura em fibra de vidro, um motor de 175 HP e um motor auxiliar de 20 HP. A ida foi bem, mas na volta viemos levando porrada do mar bravo e vento forte. Chegamos salgadinhos com os respingos, apesar da cobertura (frágil) do barco. Pelo menos é insubmersìvel, segundo diz a lenda, mas parecia um liquidificador no meio do mar e os tripulantes disseram que o tempo estava bem razoável. Nada como uma aventura marítima com alguma emocao.

Vista do alto do farol da ilha. Todos esses pontinhos sao pinguins.

Farol da ilha. Dá para subir, mas os degraus da escada de ferro têm meio palmo de largura, sao em espiral e a minha tia gorda ficaria entalada no meio. Tem que descer de costas, devagar e com cuidado. Se beber, nao suba.

Há placas sinalizadoras e trilhas para se andar na ilha. É proibido pegar, alisar ou lamber os pinguins. Aliás, eles têm o bico curvo e afiado, atacam seus predadores e sua bicada é dolorida, segundo dizem. E fedem bastante. A ilha é, em parte, um depósito de guano (mierda).

Os bichos se enfiam em todos os lugares. Escavam tocas na terra onde botam os ovos e criam os filhotes.

E nao temem os seres humanos. Saem de nossa frente, nas trilhas, mas ficam ao lado das pessoas numa boa.

Adoram socializar nas praias geladas e rochosas. Essa cena é bem parecida com as praias da Antárctica, também pedregosas e (mais) geladas.

Os pássaros voadores convivem numa boa com os pinguins. Perto de Punta Arenas há uma outra pinguinera, mas bem menor.

Estava frio por causa do forte vento. Bom motivo para tomar um café forte com pisco.

A ilha Marta é o refúgio de lobos marinhos (na base) e pássaros cormoroes (reunidos aos milhares, no topo). É proibido descer na ilha. Ainda bem, esses bichos sao grandes, de malas ganas (olha o preconceito) e seu fedor é sentido dessa distância.
Adoram tomar sol na praia e os machos brigam violentamente pelas fêmeas.

Saímos às sete da manha e regressamos por volta do meio-dia. Para matar a fome comi esse cervo patagônico (um veadinho dos Andes) acompanhado por manzanas e pinhoes ao molho de vinho tinto. Uma delícia servida no restaurante do Hotel Cabo de Hornos, onde estou hospedado.
Amanha tem postagem de algumas coisas legais de Punta Arenas.
Dicas virtuais:
http://www.soloexpediciones.com/ - uma das agências que organizam o tour às ilhas.
http://www.ukogorter.com/ - site do ilustrador especializado em vida animal Uko Gorter. Descoladìssimo. Ele ilustrou uma revista especial sobre cetáceos da Antárctica para o governo chileno.
http://www.inach.cl/ - site da Agência Chilena especializada em estudos antárcticos.
http://www.comnap.aq/ - site especializado em estudos antárcticos dos países que assinam o Pacto Antárctico, do qual o Brasil faz parte.
http://www.museomaggiorinoborgatello.cl/ - site do museu organizado e mantido pelos padres Salesianos de Punta Arenas. Imenso, bem cuidado, com placas em espanhol e inglês, possui desde informacoes geográficas, etnográficas, históricas e econômicas bem atualizadas (incluindo exploracao de petróleo, plantas de metanol e desenvolvimento da aviacao comercial na área).

terça-feira, 6 de janeiro de 2009

Lejano Sur (1)

Fotos e texto: Luiz G.G.Trigo (Olympus X-845)
Obs. Para ampliar as fotos basta um clique do mouse sobre elas.
Postado no Chile: teclado sem acento (til e cedilha) em português
Roteiro reservado e operado por: Luiz Alberto Timossi, Orecap Campinas



Estou curtindo o frio do verao austral no extremo sul do Chile, em Punta Arenas (latitude 53 Sul), de onde partirei para visitas tècnicas ambientais na regiao da Patagonia chilena e farei um cruzeiro no Skorpios. A temperatura local varia entre +7 e +13 C, porém o vento constante provoca uma sensacao térmica inferior.




Punta Arenas foi fundada em meados do século 19 e desenvolveu-se em uma área indígena. A cidade está situada em frente ao estreito de Magalhaes que une os oceanos Atlântico e Pacífico. Acima um detalhe da estátua em homenagem a Fernao de Magalhaes, com um dos índios da base.


O voo da LAN (Airbus 320), entre Santiago e Punta Arenas, demora mais de quatro horas por causa da escala em Puerto Montt. Ao decolar de Santiago, rumo sul, já aparecem os picos da Cordilheira dos Andes, com pouca neve por causa do verao. Acima um dos muitos lagos andinos.

Os vulcoes sao marca registrada do imenso anel de fogo do Pacífico, do qual o Chile faz parte e contribui com dezenas de picos em atividade vulcânica constante.

Vistos de 11.000 metros de altura os picos e seus característicos perfis cônicos.

O hotel Cabo de Hornos e o Instituto Antárctico Chileno. A foto foi tirada em 6JAN às 21h00. Agora, por exemplo, sao 23h00 e ainda há uma claridade sutil no céu. Alguns graus (ou quilômetros) mais ao sul, na Antárctica, reina a época do sol da meia-noite.

Vista de parte do porto de Punta Arenas e das casas com tetos coloridos.

Quem vem ao fim do mundo do hemisfério austral faz parte de um grupo de exploradores, gente que quer conhecer a natureza selvagem nas paragens desoladas e frias. Há muitos estrangeiros, principalmente no verao e, no inverno, acontece o carnaval (em julho), que atrai chilenos de Santiago e do norte. Os parques nacionais e os hotéis ficam abertos todo o ano, sendo a alta estacao justamente no verao. No inverno as tarifas sao mais baixas, assim com oas temperaturas. Chama-se "fim do mundo" mas nao é porque ainda há mais terras ao sul. Estamos a 1.000 Km da ponta da península Antárctica. Há exatos 10 anos (janeiro de 1999) eu estava a bordo do navio Marco Polo indo para lá. O texto relatando a viagem foi publicado na revista Turismo - Visao e Acao, da Universidade do Vale do Itajaí (Univalli-SC) e no livro América e outras viagens (Papirus, 2001). Se eu encontrar na internet darei o link na próxima postagem.

Interior vintage do Cafè Mirador, perto do mirante de Punta Arenas.

A catedral católica de P. Arenas e o estreito de Magallanes, ao fundo.

Um totem de distâncias no cafè Mirador informa que o mundo é vasto e pode ser percorrido por aqueles(as) que querem novos cenários.

A cidade, com cerca de 100 mil habitantes, espalha-se ao longo das águas frias do canal marìtimo.

A desolacao patagônica é algo que foi relatado por vários autores, inclusive pelo argentino Juan José Saer, no livro O enteado, onde ele mostra nosso estranhamento perante o mundo. Essa soledad já é percebida, no lado Atlântico, em Montevidéu e Buenos Aires, espalha-se pelo sul chegando à Mar del Plata, Puerto Madryn e por toda a imensidáo patagônica (argentina e chilena) até os Andes. Invade a Terra do Fogo e explode em sua plenitude no mais estranho e desolador continente da terra: a Antárctica. Ô saudades, mas eu ainda volto. A Antárctica é tao estranha que foi palco de um conto de terror de H. P. Lovecraft e de uma história em quadrinhos argentinas sobre alianígenas que se escondem no gelo.

Aí está o teto do Café Mirador. Kitsch e rústico, com um interior clássico, mantido pela sua dona, uma senhora vintage.

O cais do porto. 21h30.

Quase na entrada do porto. 21ho0.

Na rua Bernardo O´Higgins há vários restaurantes. Um antigo e ortodoxo é o Sotito´s, mas os mais descolados sao La Luna e o Jekus (pronuncia-se Diecus). A comida típica da regiao é o cordeiro patagônico, os peixes (salmao, congrio) e mariscos como a centolla, um tipo de caranguejo gigante similar ao king crab das águas geladas do Ártico. No almoco comi um chupe de centolla, um prato feito com pao, creme de leite, queijo e a própria centolla. Foi devorada com a ajuda da cerveja Austral (uma vermelha e uma preta). Estou cheio até agora. A janta foi uma coca, um suco e um paozinho quente saído do forno.
Vou dormir algumas horas. Nao perca a postagem de amanha se você gosta da natureza selvagem. Vou de barco para as ilhas Marta e Magdalena, ao norte de P. Arenas onde está parte da fauna local.






domingo, 4 de janeiro de 2009

Ibiraquera - SC Praia limpa e tranquila

Está cada vez mais difícil encontrar uma praia limpa e tranquila no sul/sudeste deste país. As construtoras, câmaras municipais, poder execultivo municipal e especuladores imobiliários se unem para a tarefa de ganhar muito dinheiro, nem que seja destruindo o litoral. As pessoas compram apartamentos, casas e terrenos e, em geral, não se importam de colaborar para edificar - e nelas viver - naquilo que se chama de áreas urbanas degradadas pelo excesso de carga e desenvolvimento predatório. Ou seja, favelas de classe média. Aí ficam no sonho de viver uns dias em locais paradisíacos como a praia acima, localizada entre Garopaba e Imbituba, uns 70 km ao sul de Florianópolis.
Eu prefiro curtir o sossego e a qualidade de vida desse sonho. O sul de SC ainda não é moda e nem foi estuporado por construtoras e imobiliárias inconsequentes e imbecis. Inconsequentes porque detonam o meio ambiente com projetos mal feitos em termos urbanísticos e ambientais e não respeitam os limites sensatos de sustentabilidade; imbecis porque assim matam a possibilidade de lucrar por longo tempo com outros empreendimentos que valorizem, pela qualidade de vida e sustentabilidade, seus empreendimentos. Ganham uma vez só.

Essa região do sul de SC possui várias lagoas (logo depois vem as lagoas do RS) com águas limpas, pequenos manguezais e canais que as conectam ao mar. Esse é o canal que liga um complexo de lagoas à barra de Ibiraquera.

Há porções de mata atlântica, dunas de areia, rios para se boiar levado pelo fluxo de agua fresca e o céu que completa o espetáculo natural.

Dá para nadar, pescar, remar caiaques, fazer kite e wind surf, sandboard e andar ouvindo apenas o mar e o vento.


Se quiser agito é só dirigir uns 20 minutos até a praia do Rosa, o point descolado do sul do estado. Lá existe um pequena estrutura de hoteis, restaurantes, bares, lojas e acessos decentes para a praia.
Os mirantes do Rosa são ideiais para ver e ser visto. Afinal, o que é o mar sem o "amor de praia" e as fofocas de fim de noite?

Tem vento a maior parte do tempo para esportes náúticos. No inverno as pessoas vão para observação as baleias franca, das praias ou a bordo de barcos de pesca.

A lagoa Encantada (um pouco ao norte) e as lagoas de Cima, Meio e Baixo, que desembocam na praia de Ibiraquera, estão cercadas por manguezais, matas e dunas. Os pássaros possuem um habitat privilegiado e milhares deles são vistos ao por-do-sol, voltando para seus ninhos.

A barra perto da lagoa Encantada em um dia de nuvens bravas.

Flores e arbustos brotam naturalmente nas margens suaves das lagoas.

O pequeno atracadouro do hotel Eco-Resort Ibiraquera. O nome é pomposo mas o lugar é simples e sossegado. Há alguns restaurantes rústicos (Tartaruga, do Zequinha) na praia de Ibiraquera que servem peixes e frutos do mar fresquíssimos, baratos e deliciosos. Se quiser algo mais sofisticado é só ir para a praia do Rosa ou Garopaba, mas dá para comer magnificamente na simplicidade hospitaleira e competente do lugar.

E aí estou eu na praia do Rosa, com o compadre Aluísio e a comadre Maristela, bebendo uma água de coco (mas ao lado tem uma caipirinha de vodka).