terça-feira, 20 de janeiro de 2009

Lejano Sur - a bordo

Fotos: Luiz GG Trigo
A vida à bordo não tem nada a ver com os cruzeiros marítimos nos navios imensos, com dois ou três mil passageiros, e sim com os navios pequenos onde o serviço é mais personalizado. Nesse cruzeiro eram 70 passageiros e 33 tripulantes. A comida era excelente, farta mas não em excesso. Bufê de café da manhã com poucos e ótimos itens; almoço empratado, sempre com opção para vegetarianos ou dieta especial; chá das cinco horas da tarde; jantar empratado com entrada, prato principal e sobremesa, sempre leve e saudável.


A cada noite o capitão Constantino Kochifas Cárcamo (nascido em 1931), proprietário de vários barcos de pesca e idealizador dos cruzeiros Skorpios, dava as boas vindas, avisos e comentários, sempre com bom humor. A mensagem era clara: sintam-se em casa e comportem-se como uma família. A bordo são vendidos livros com a biografia do capitão e com as fotos e roteiro da viagem do Skorpios III, além de lembranças, roupas e badulaques com a marca da emoresa.

Na última noite do cruzeiro há um bufê de frutos do mar, mariscos e pescados chilenos. É a única noite onde há um excesso de comida.

Brasileiros são comuns a bordo, mas em pouco número. Além de nós havia apenas essa outra família de São Paulo (Antonio, Rosilene e filhos, Bruno e Thiago). O estilo do navio (slow travel) agrada aos que já tem experiência em viagens, falam inglês e espanhol (as línguas de bordo), não querem baladas barulhentas e apreciam o silêncio e a contemplação. Há muitos idosos (o top era um senhor norte-americano de 90 anos) em ótima forma para andar pelas trilhas e áreas geladas e rochosas.

Todos os tripulantes são chilenos. Educados, sóbrios e discretos, garantem um serviço atencioso e competente.

Em nossa mesa havia esse casal suiço-alemão, Paul e esposa, vistos ao lado de Laderlei e Celi. No começo ele estava arredio às brincadeiras mas tornou-se um companheiro divertido e integrado ao nosso estilo mais, digamos, informal.

Alguns do pratos do bufê: chocolate com molho de frutas vermelhas.

Abacate com centollas. Centolla é um caranguejo gigante (similar ao king crab das águas frias do norte), um prato típico da Patagônia chilena e argentina e muito apreciado. É um prato saboroso, forte e caro. Pode ser encontrado no mercado central de Santiago e nos bons restaurantes chilenos.

Mariscos como locos ou machas são outros frutos do mar típicos da região.

A parte das sobremesas é sempre um delírio calórico que deve ser degustado sem culpa ou vergonha. Como diria Garfield, dane-se a dieta.

O capitão e sua senhora, Mimi. Ela é a responsável pela cozinha e pela governança hoteleira de bordo. Impecáveis e severos, amáveis e atenciosos, o casal cumpre as funções plenas para um cruzeiro agradável. A ponte de comando, casa das máquinas e cozinha são liberados para visitação, ao contrário dos outros navios.

O leitão e o cordeiro patagônico são outras delícias da região.
E assim acaba o cruzeiro no Skorpios. O capitão Constantino acabou com o verbo veranear no Chile e introduziu vacacionar. Assim como na Escandinávia, na antiga Inglaterra e norte da França, as águas frias chilenas entraram no roteiro turistico global graças ao planejamento e empreendedorismo de Constantino e sua equipe. Dá-lhe Chile, um dos lugares mais agradáveis deste continente.

Um comentário:

Camila Barish disse...

Oh lokoo me deu fome rs