segunda-feira, 7 de janeiro de 2008

Os melhores livros que li e curti

Acabei de ler As benevolentes, de Jonathan Littell, um delicioso calhamaço com 900 páginas de literatura instigante. Fazia tempo que eu não lia algo tão bom e denso, uma aventura literária das melhores. Daí pensei em fazer uma lista (parcial) dos melhores livros que já li:

José e seus irmãos, de Thomas Mann. É uma trilogia, publicada no Brasil pela Nova Fronteira.

Paideia, de Werner Jaeger. Fondo de Cultura Económica (México). Uma obra fundamental sobre educação na Grécia antiga.

Viva o povo brasileiro, de João Ubaldo Ribeiro. Divertida e significativa história de uma família baiana que bem representa nossas loucuras e ideais.

Os mandarins, de Simone de Beauvoir. Um relato romanceado do existencialismo francês, uma profunda reflexão sobre a vida e seus momentos.

Obras completas, de Jorge Luis Borges (Editora Emecé, Buenos Aires). Textos e poesias com mitos, mistérios, palavras e fascínios muito particulares do autor.

Contos Reunidos, de Rubem Fonseca. Um dos primeiros romancistas a entender (e prever) a brutalidade e a violência do Brasil atual.

O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien. Ed. Minotauro, Buenos Aires. Li muito antes da obra tornar-se conhecida no Brasil.

Os caminhos da liberdade, de Jean-Paul Sartre. Uma trilogia (A idade da razão; Sursis; e Com a morte na alma) que representa a essência do existencialismo de forma romanceada. Marcou minha juventude e minhas decisões.

As noites difíceis, de Dino Buzzati. Contos curtos e profundos sobre a temporalidade, a morte, a solidão.

Fiasco, de Stanislaw Lem. Alianza Ed., Madrid. Uma obra-prima de ficção científica sobre um contato entre terrestres e uma civilização alianígena no século 22.

O enteado, de Juan José Saer. O melhor texto que li sobre nosso estranhamento perante o mundo. O autor é argentino.

Everyman, de Philip Roth. Uma análise cruel sobre a velhice.

Falta muita coisa, mas dá para ter uma pálida e tênue idéia do meu imaginário.

E você? Quais os melhores livros que já leu?

sábado, 5 de janeiro de 2008

Vamos ficar mudos?

Volta o projeto de lei para banir, extirpar, probir, censurar, palavras estrangeiras de nossa língua pátria. Vamos emudecer, pois eu falo uma língua européia (português, de Portugal) recheada de expressões que vieram do francês, árabe, das línguas nativas, italiano, japonês, chinês, russo, espanhol... Vou falar em Tupi-Guarani?
Alguém pensa em incentivar escolas, empresas e outras instituições a promover o ensino do português, da leitura e de línguas estrangeiras à toda população? Será que não se percebe que uma língua estrangeira é um plus, uma outra possibilidade de pensar, de adquirir cultura? Uma ampliação do universo linguístico-cultural?
A mentalidade jeca e retrógrada imagina que falar ou escrever em outra língua é o quê? Pedantismo? Esnobismo? Coisa de rico? Mas que rafuagem intelectual mais rastaquera. Se há abusos (no comércio, por exemplo) deixa quieto. Problema das lojas, das vitrines, da publicidade que imagina a língua estrangeira como algo superior. Uma ferradura não justifica a outra. A língua portuguesa falada no Brasil é rica, variada, preciosa, forte, saudável e maravilhosa. Não serão algumas palavrinhas ou expressões alianígenas que afetarão a beleza e a força do português. Pelo contrário. A língua se enriquece, se amplia, se refestela com as novas palavras. Por supuesto. Eu não sou monoglota e fico feliz por isso. Muito feliz. É bom falar outra língua. É bom ler, assistir filmes, dar risadas, pensar em coisas diferentes. Ver o mundo. Sem nenhum demérito pelas nossas coisas, por nosso país. Acho incrível ver jovens aprendendo japonês, alemão, árabe, hebraico, inglês, criando linguagem na internet. Isso é o futuro. Isso é inovação. Isso é pensamento aberto e saudável. Chega de mata-burros pretensamente legais que ao invés de promover a língua passam atestado de complexo de inferioridade. Já imaginou a informática, a publicidade, o turismo, a hotelaria, a pesquisa acadêmica, sem palavras estrangeiras quando necessário? Eu não seguirei essa bobagem. This is a real bull shit. Tô fora. Xô! Sai bobeira. Sai bagual.

2008: praia e cachoeira

Atravessei a linha imaginária temporal de nossa civilização ocidental (ano novo, para os íntimos) de forma tradicional: curtindo praias e cachoeiras. Mas praias sem poluição, sem água-viva e sem aquele caos urbano que é transplantado para o litoral em algumas épocas do ano (só tinha um semi-caos). E cachoeiras de águas límpidas e frias, cercadas por rochas primordiais e pela mata atlântica.
Tive o prazer de rever uma praia da minha adolescência, ainda não destruída pela especulação imobiliária e com jeito de quem vai atravessar boa parte do século 21 sem essas desgraças que matam o prazer de curtir a natureza. E com conforto, apesar dos borrachudos. Mas tinha vagalumes, estrelas cadentes no céu estrelado, amizades antiquíssimas para rememorar tudo o que aprontamos no passado e, claro, os filhotes, a nova geração que me chama de "tio" e com a qual compartilho as brincadeiras antigas e novas, trocando risadas e asneiras. Kids and seniors, all together in the wilderness.
Onde foi? Num dos santuários mais ou menos preservados do país: Ilhabela. Mergulhei ao longo da ilha das Cabras; desci a corredeira da Cachoeira da Lage, depois de 20 anos; nadei nos poços frios de águas limpas dos rios; servi meu sangue aos borrachudos; me refestelei com os mariscos da Novi Iorqui (restaurante no final da estrada, sentido sul, rumo a Cachoeira da Lage), fizemos churrasco e falamos muuuuuita bobagem. Old friends, always new experiences.
Tenham um ótimo 2008, 9, 10... Com paz, saúde, dinheiro, prazer, cultura, esporte, amizades, inteligência e sabedoria. O universo e o infinito, para nós todos.
Obs. Os textos em inglês são protesto contra o projeto de lei de banir palavras estrangeiras de nossa língua. That´s real bull shit.

sábado, 22 de dezembro de 2007

Natal

Os cheiros da cozinha.
A expectativa dos presentes sob a árvore iluminada.
A tensão entre os parentes que não se dão bem em volta da mesa da ceia.
A saudade dos Natais passados quando não tínhamos consciência da nossa mortalidade.
A melancolia dos shopping centers inflacionados de alegria artificial.
A paisagem dos barracos miseráveis com sua tristeza natural.
A satisfação por um presente sonhado que nos foi dado.
A alegria de uma criança vendo todos aqueles sonhos e mitos e lendas e cores...
A lucidez dos mais velhos, olhando o tempo passar Natal após Natal.
A expectativa ante o ano novo, os últimos reveillons de nossa vida.
O prazer dos sonhos além do tempo e da realidade comum, refletidos nas luzes.
Os sabores da mesa.
O telefonema de alguém que a tempos não vemos.
Um e-mail criativo, personalizado e sincero nos desejando Boas Festas.
"A chama de uma vela."
Uma oração perdida na noite estrelada.
Um beijo recebido com carinho.
Uma risada do fundo do peito que rompe o medo da morte.
O sol de cada manhã, a promessa realizada do Natal, da luz, da vida.
O desejo da vitória de Eros sobre Tanatos.
A luta pela persistência da esperança contra o fracasso.
O olhar perdido no abismo estelar.
Um sorriso ao ver a estrela de nossa existência brilhar.

Vida.
Luz.
Tesão.
Promessa.

quinta-feira, 20 de dezembro de 2007

Pagando mal, que bem tem?

Mais uma vez algumas faculdades demitem professores no final do ano, especialmente doutores. Os motivos são os mais sórdidos possíveis: dinheiro e lucro apesar da queda de qualiddade de ensino. Vários profissionais ficam melhor com o tempo, se estiverem atualizados, claro: médicos, advogados, professores, enfermeiras, artesãos, administradores... Porém, nessa realidade medíocre de algumas instituições particulares, os salários dos doutores é uma ameaça ao ensino, não importa sua qualidade acadêmica, produção científica e experiênciam docente. Isso é uma picaretagem e prejudica diretamente os alunos e alunas. Um doutor é substituído por um mestre que vai ganhar como um especialista e a mensalidade não abaixa.
Um curso superior depende de doutores, mestres e especialistas, de acadêmicos e de docentes ligados ao mercado. Muitas faculdades particulares nivelam por baixo o corpo docente mas mantém altos ssalários no corpo da mantenedora que não faz nada útil em termos didático-pedagógicos. São uns burocratas hipócritas. Gente sem visão. Mercadores da má qualidade do ensino.
Se a sua faculdade demitiu professores sem que boas razões fossem explicadas à comunidade, cuidado. Você está pagando por um diploma-mico. Por um pedaço de papel que a sociedade não vai reconhecer (há exceções, bem poucas). Chegamos ao tempo dos galpões de ensino, dos arremedos de faculdade. Professores mal pagos, alunos mal orientados. Pagou, passou. Pagando mal, que bem tem?
Se você pensa que pagando uma merreca por um curso ruim alavancará dua carreira, sinto informar que está alavancando só a conta bancária dos donos daquela arapuca que chamam de faculdade. E os donos da bagaça não te chamam de aluno. Te rotulam de otário. Não caia nessa. Lute por seus direitos e exija qualidade no ensino que você paga.

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Airbus da TAM, prefixo MBR

Anotei o prefixo para reclamar. O serviço da TAM "Fale com o presidente" não resolve, quem sabe a nova gestão da empresa comece a ler os blogs.
Foi o seguinte: segunda-feira, dia 3 de dezembro de 2007, vôo Teresina/São Paulo com conexão em Brasília. Sentei e antes de partir o comandante disse que fariam um reset nos computadores e as luzes se apagariam por uns instantes. OK. Depois esperamos uns dez minutos para estabilizar sei lá o quê dos sistemas de bordo. Um passageiro ao lado disse que desde dois dias atrás o avião estava com problemas. Perguntei como ele sabia. Voou de Campinas para Teresina, as luzes acendiam e apagavam até que a tripulação as desligou e ele disse que era o mesmo avião.
Não gosto de problemas elétricos ou eletrònicos quando estou a 11.000 metros de altura. Uma pane elétrica pode ser muito pior que uma hidráulica, por exemplo. Perdemos a conexão em Brasília devido ao atraso e fomos para São Paulo no mesmo avião. Na chegada em Congonhas nada de abrir a porta. O comandante avisou que esperavam uma bateria reserva porque não podiam desligar o avião senão ele não pegaria de novo etc etc etc. Lá ficamos até que abriram a porta e saímos. Atenção manutenção: o prefixo do Airbus é MBR. Tomara que não esperem dez dias para arrumar a bagaça, que nem aquele vôo de Porto Alegre com a turbina pinada, em 17 de julho, que acabou muito mal. Parece que a culpa da crise aérea não é mesmo exclusiva do governo.

Teresina, de novo

Fui no domingo e voltei na segunda-feira. A pauta era uma reunião com o Prof. Puscas (UFPI) e a turma do Caminhos do Futuro. 24 horas intensas em Teresina. Deu para matar as saudades do Camarão do Elias, um restaurante com peixes e frutos do mar com a presença do Elias, um cara de quase 70 anos que recebe as pessoas como se estivesse em sua casa. Sua torta de caranguejo é imbatível. Conheci novidades: Madame K, na rua Angélica, 245 onde fazem uns cafés, chás e comidinhas bem legais. Comi um wrap de perú e mango chutney. Alta gastronomia.
Um programa legal foi o "Prato cheio de arte e cultura na serra da Capivara" que a UFPI organizou e implementou em alguns municípios da serra. A universidade caprichou na proposta de levar atividades culturais para a população em geral, com muita interação e participação. Assisti o DVD e trouxe para a biblioteca da USP.
Ainda matei as saudades das amigas locais, todas professoras descoladas. No almoço, antes do vôo, um escondidinho leve e saboroso em um restaurante sob árvores frondosas.
Destaque também para o hotel Íbis. Naquele calor todo, ao abrir a porta do apartamento senti que estava fresquinho. Alguém que entende de hotelaria deixou o ar ligado para recepcionar os hóspedes. Isso é serviço.