quinta-feira, 12 de março de 2009

Luiz Trigo - Os melhores momentos em 50 anos (3)

Trabalhei na Abreutur de 1979 a 1987, como emissor internacional, guia nacional e internacional. Durante quatro anos fiz as temporadas do navio Funchal, na América do Sul. Era uma festa. O navio era pequeno (10.000 toneladas, 400 passageiros), pertencia a uma estatal portuguesa e a tripulação vivia entusiasmada com as conquistas pós-ditadura do Salazar. A Abreu fretava o barco e nós (uns sete ou oito) éramos o staff, com status de oficiais. Com um clima liberal em Portugal e na Abreu Brasil, tínhamos imensa liberdade para criar, inventar modalidades de serviços e conviver de maneira mais informal com os passageiros. O que marcou minha experiência na Abreu foi a correção, a ética e a sinceridade que o José Matias imprimia a toda a equipe. As palavras vividas (e não apenas proferidas) eram Confiança e Compromisso.

Fevereiro 1985. Esse era o final do concurso de misses a bordo. Na extrema esquerda, está João Francisco Ribeiro Pereira, o diretor de cruzeiros. Eu sou o próximo rapaz, depois o imediato e por último o Comandante Inácio Pereira Vieira (já falecido). João Pereira era um gentleman, diplomático e adorava terminar as refeições com um cognac, um puro (charuto) e um café.


Nos fantasiávamos de várias coisas. Aí estou de hindu (com uma roupa que trouxe da Índia), ao lado da Maria Clara, com o véu preto. O que está fantasiado de oncinha é meu pai, com uma amiga. Desde aquela época meu pai adora fazer cruzeiros e se diverte imensamente a bordo.


Essa foto é das mais divertidas. Eu organizava a festa do Rei Netuno, pela passagem na linha do Equador, no cruzeiro Amazônia. Atravessávamos a linha ao navegar ao norte da ilha de Marajó. A ponte de comando me dava a hora exata da travessia, elegíamos o rei e a rainha (estão ao fundo), eu pegava a mangueira de incêndio (estou de camiseta amarela, jogando água no povo) e fazia um evento no melhor estilo pagão, no poço de manobras da popa. Depois de dois anos o João Pereira proibiu a baderna porque eu arrasava o bar da piscina com os jatos de água e as pessoas podiam escorregar no deck molhado ao correrem.


Aqui estou com a turma da Sala de Máquinas (engenheiros), juntamente com a Maria Clara, devidamente fantasiados de ... oficiais da Sala de Máquinas em trajes operacionais. As máquinas do Funchal não tinham nada a ver com as salas dos navios atuais. Era um lugar quente, barulhento, cheio de óleo e um cheiro de mecânica arcaica. O navio foi construído em 1961 e ainda navega pelos mares europeus.

Aqui festejamos algum Natal (1982?). Junior, um grande amigo da época, eu e Maria Clara.

Reveillon 1980/1981. Essa era a nossa sala privada onde faziámos as refeições, trabalhávamos na gestão e organização das atividades de bordo e tínhamos nossa privacidade. O programa de bordo era montado e impresso em uma pequena gráfica a bordo, assim como os cardápios roteiros de passeios opcionais etc. Dessa foto, quatro já morreram: Beta (de verde), Atalívio (fantasiado, em pé), Gabriel Gil (de cavanhaque e óculos) e o comandante Inácio. João Pereira preside a ceia, sentado de smoking, ao centro. Estou à esquerda, em pé.

Reveillon 1982/1982. Na mesma sala, uma grande festa do staff Abreu e o comando do navio.



Essa foto foi tirada no porto de Buenos Aires. Minha prima Mara, seu marido, Jorn, e os dois filhos, Max e Patrick que lá moravam foram me visitar a bordo. Max (hoje comissário internacional da TAM) está em meus braços e o irmão, Patrick, com a mãe.








2 comentários:

Max disse...

Parabens pela foto!!!
Saudades de essa epoca...
Abrazo.

Dôglas disse...

Trigo, meu filho...

Fiquei muito feliz em saber que você comemorava meu nascimento em 24/12/1982 a bordo de um navio. Tá vendo, já vislumbrava as grandes alegrias que eu traria para o mundo.

Amém,
Douglas