domingo, 18 de setembro de 2011

Coleção Eduardo Sanovicz - Lançamento na Livraria Cultura, São Paulo

Dia 14 de setembro, quarta-feira, à noite, em São Paulo, teve o lançamento oficial da coleção de turismo Eduardo Sanovicz em sua primeira versão completa (o lançamento parcial foi no Salão do Turismo). Agora são sete livros (o oitavo está no prelo, o que significa mais lançamentos) e a segunda fase da coleção chegará em 2012. Por enquanto os novos títulos e atores são segredos abissais (nem a gente sabe). 


O lançamento foi na Livraria Cultura da avenida Paulista, um dos lugares mais descolados para esse tipo de festas.

Todos os autores estiveram presentes, quer dizer, quase todos, porque Marcelo Vilela (EACH-USP) está passando um mês na França, estudando e se refestelando pela Gália, pensando que é um tipo de Obelix pós-moderno. 


Mas nós fomos ao lançamento. Eu não tinha certeza de que iria (nem convidei os parentes por causa disso), mas deu tudo muito certo.


Andréa Kogan é uma das tradutoras dos livros, pois as obras são adaptações re-escritas e tropicalizadas de textos de autores estrangeiros.


Guillermo Alcorta (Panrotas), que sempre nos prestigia nas inciativas acadêmicas e eu (à direita).


Com isso a editora Elsevier lança a maior coleção de turismo dos últimos anos, publicados de uma só vez.




Eduardo Sanovicz, Guillermo Alcorta, Mariana Aldrigui, Reinaldo Teles e eu, posicionados para fotos e fatos.


Nossos alunos (e alunas), amigos, parentes, admiradores, colegas, conhecidos e até gente que nos olha torto, foram ao evento curtir e festar.


Esses são nossos alunos do primeiro ano de Lazer e Turismo (EACH-USP).


Eu olhando e tentando entender o que se falava por causa do ruído alegre e festivo que enchia a casa de ânimo e agitação.


Um mundo de livros, para a gente ler, escrever, criticar, publicar, resenhar (hummm... nem todos gostam) e tudo o mais.


O professor Reinaldo Miranda de Sá Teles, nosso colega da USP (da ECA), com seus alunos e alunas.


Alguns dos alunos (e ex-alunos,as) da EACH que foram matar as saudades e tietar seus professores, carentes e humildes.


Foi bem legal e divertido. Aí estamos no final do evento: Luiz Trigo, Mariana Aldrigui, Reinaldo Teles, Ana Paula (outra das tradutoras, além de autora), Jorge (seu marido) e Ricardo Uvinha. A editora Elsevier caprichou e agitou na divulgação de nossa coleção.

Na noite seguinte, embarcamos para Fortaleza rumo ao primeiro lançamento nacional (já fiz a postagem, está antes dessa). 

Aguardem os próximos eventos e comentários e por favor, comprem nossos livros.

Skal International de Fortaleza lança coleção Eduardo Sanovicz de Turismo

A coleção de livros de turismo Eduardo Sanovicz foi lançada em Fortaleza (CE), na última sexta-feira e em grande estilo.


Acordar com uma paisagem dessas é o ideal para o bom humor e a disposição dionisíaca de uma pessoa. Vista do meu apartamento no Hotel Marina.


Logo cedo, um café da manhã para os participantes do seminário, especialmente organizado para o lançamento dos livros. O evento foi no centro de convenções do Marina.


A trilha sonora foi garantida por um sax estiloso.


O lançamento fez parte do programa de comemoração dos 33 anos do Skal International de Fortaleza ...


... presidido pela empresária Enid Câmara, responsável pelo sucesso e charme do evento. A hospitalidade com que fomos recebidos em Fortaleza pela Enid e pelos jornalistas Marcos Gomide (Rede Globo), José Rangel (Costa Oeste) e Edgony Bezerra (Diário do Nordeste) foi marcante e aconchegante. Deixo aqui meu reconhecimento e agradecimento pelo carinho e cuidado com que nos trataram.


Eduardo Sanovicz (professor da EACH-USP) fez os cumprimentos e agradecimentos iniciais e à tarde falou sobre Negócios e Eventos.


Mariana Aldrigui (professora da EACH-USP) destilou bom humor e competência (com uma certa ironia, é verdade) que agradou a platéia. Ela e Ana Paula Spolon se refestelaram no Facebook mandando notícias e comentários do evento.


Ana Paula Spolon (professora da Universidade Federal Fluminense, em Niterói, RJ) discorreu com a usual competência e atenção sobre os negócios da hospitalidade.


Aí estamos, Sanovicz e eu (Luiz Trigo) com o pessoal que veio do Crato, a 590 km de distância de Forlaleza.


Enid, Ana Paula, Mariana e Isaac, do Senac Ceará, um pouco antes do início da s palestras.


Os autores e palestrantes: Ana Paula é co-autora do livro Administração de Pequenos Negócios de Hospitalidade; Sanovicz é o organizador da coleção; Mariana é co-autora de Turismo em cidades, título que está fazendo o maior sucesso pelo seu ineditismo e é o tema de sua tese de doutorado; e eu, co-autor do Turismo Contemporâneo.



O pessoal do Crato (30 alunos e dois mestres) são da Centec - Instituto Centro de Ensino Tecnológico do Ceará. Estudam turismo, gastronomia e hotelaria e viajaram a noite toda para participar do evento. Depois viajaram outra noite inteirinha para regressar. Esse é um exemplo de vontade de estudar e conhecer um pouco mais da vida e do mundo. 


Aí estou com os colegas professores da Centec, Cícera Cavalcate de Lisboa e Sangielo Luciano da Cruz. Conversamos sobre os programas de turismo e as realidades do turismo do Nordeste e do Brasil.


Cada uma das quatro palestras teve um apresentador, ligado à área educacional. Joseilton Ferreira Lima Filho apresentou Mariana; Alci Porto Gurgel Junior apresentou Ana Paula; Tereza Neuma fez as honras para Sanovicz; e José Solon Sales e Silva me honrou com suas palavras poéticas e edificantes.


O evento terminou com um coquetel, autógrafos, muita risada e um conjunto musical animando deliciosamente a festa. Valeu Fortaleza.

A matéria sobre o evento saiu na Rede Globo Ceará:

http://video.globo.com/Videos/Player/Noticias/0,,GIM1633029-7823-ESPECIALISTAS+APRESENTAM+INDICADORES+DO+CRESCIMENTO+DOS+NEGOCIOS+DO+TURISMO+NO+BRASIL,00.html

quarta-feira, 14 de setembro de 2011

Pôneis malditos, o mundo do trabalho e o ministro sinistro

Em homenagem ao ministro do turismo que saiu hoje (já foi tarde, nem devia ter vindo), deixo essa quadrinha para ser cantada com a melodia dos pôneis malditos:


Ministro maldito, sinistro maldito,

Venha comigo roubar,
odeio ética, odeio moral
 - que nojinho -
não deixo de sacanear...


seus otários (beijinho)



E continuando a série, "pôneis malditos", reproduzo aqui o texto publicado em 14/09/20001, no Hotelier News sobre os Pôneis malditos e o mercado de trabalho:


“O sucesso do comercial dos pôneis malditos da Nissan, que teve mais de 3,5 milhões de acessos na internet nos primeiros cinco dias da campanha, parece ter se traduzido em vendas. A Frontier, estrela do comercial, registrou recorde de vendas em agosto. Foram comercializadas 1.488 unidades, 110% mais que no mesmo mês em 2010. O comercial foi ao ar no dia 29 de julho, primeiro na internet e depois na TV.”



Por que a publicidade fez tanto sucesso junto ao público brasileiro? Não há um único e derradeiro motivo, mas podemos especular baseados no entretenimento e na questão de como as imagens na mídia são recebidas e interpretadas. Nas nossas sociedades atuais, a veiculação de bichinhos graciosos e puros começou graças à genialidade de Walt Disney que criou um universo baseado em personagens próprios e em personagens criados a partir dos contos de fadas europeus. O que os caracterizava, trazendo uma assinatura estilística inconfundível do grupo Disney (filmes, TV, parques temáticos, brinquedos, publicidade em geral), era justamente essa fofura pueril, ingênua e inocente que marcou a geração pós-guerra dos Estados Unidos, do ocidente e até mesmo de países asiáticos (há parques Disney em Tóquio e Hong Kong e um está sendo construído em Xangai).

Mas essa hegemonia edulcorada do mundo Disney logo foi sendo quebrada pelos super-heróis publicados pela Marvel, onde havia mais violência e ação adulta, em histórias cercadas de mistérios, tramas e conchavos militares e políticos. Outra rachadura no muro cor-de-rosa foi a divulgação dos mangás pelo ocidente. Esses quadrinhos japoneses tinham aspectos históricos, mitológicos, de ação, de violência, lutas marciais e ... sexo, muito sexo, de todos os tipos e gostos. Mas uma importante vertente que criticou diretamente o mundo Disney foi a série Shrek (desenhos animados de 2001, 2004, 2007 e 2010). Produzida pela Dreamworks, os ogros e bichos pouco tinham de ternura ou gostosura. Eram irascíveis, falastrões, sujos e relaxados. E faziam sexo, muito sexo (não explícito, por suposto).

Claro que os personagens puros e castos de Walt Disney perderam um pouco de território, mas mantiveram seu império e a Disney diversificou seus filmes, serviços e produtos. Há mercado para todos os gostos e demandas, ainda mais no mundo super-segmentado dos quadrinhos, doa games e dos filmes e brinquedos para crianças, adolescentes e adultos.

Mas enfim, qual é segredo do sucesso dos pôneis malditos? Ninguém sabe direito, nem os marqueteiros e os midiáticos, mas podemos elucubrar algumas teorias.

Imagine que o mundo institucional ou corporativo seja uma imensa cocheira. Isso mesmo, a sua empresa, a sua área profissional, a sua instituição como uma vasta cavalariça. Você consegue vislumbrar a imensa variedade eqüina (por analogia, apenas, claro) disponível?  Identifiquemos alguns exemplares:

Há os cavalos de raça, imponentes, fogosos e cheios de si. Alguns são pangarés disfarçados, mas muitos são puro-sangue mesmo.

Há os burros de carga, que levam o trabalho bruto nas costas.

Há os cavalos baio, não muito bons para equitação, e também os cavalos zaino, muito espertos e bem dispostos para tudo.

Há os mangalarga, os pampeiros e os frísios, que contribuem decididamente para o bom andamento dos trabalhos e do ambiente profissional e social mais saudáveis, graças ao seu gênio e simplicidade.

Há os cavalos selvagens, trotando perdidos pelos pastos, aguardando a hora da domesticação ou de saírem definitivamente da cocheira à qual nunca se acostumarão.

Há os asnos, indefectíveis em qualquer lugar, às vezes até com altos títulos e cargos, mas que contribuem decididamente para o atraso do espaço onde estão.

Há as zebras (são da família eqüídea), uma mistura alegre e pouco ortodoxa que se esparrama pelas savanas empresariais, fugindo assustadas – ou fascinadas – dos leões e outros predadores.

Entre zurros, coices e relinchos dessa bela estrebaria institucional ou corporativa, há também os pôneis. Para que servem essas criaturas? No mundo real, dos cavalos, são uma raça desenvolvida para a criança brincar. No imaginário infantil das histórias, desenhos e cantigas, são a fofurinha, doce e singela ao antigo estilo Disney, que aparecem com musiquinha de fundo, letras alegres e bobas, cores vivas e até dá para sentir o perfume floral dos bichinhos exalando das imagens.

Outro dia escrevi no Facebook que os pôneis malditos me lembravam algumas pessoas. Muita gente curtiu e houve comentários concordando. Tudo bem, mas a quem nos remete as imagens desses animaizinhos tão dóceis, mas que nos deixam atolados?  Justamente àquelas pessoas aparentemente tão amáveis, doces, cordatas, até mesmo singelas e puras, mas que nos prejudicam por não ajudar em nada, pelo contrário, por atrapalhar nossos projetos, falhando justamente nos momentos críticos do trabalho. Apareceu lama e barro – que nojinho! – ninguém sai do lugar. Lembrou de alguém que se assemelha à essa descrição? Nesse caso, os pôneis malditos são piores que os cavalos selvagens ou os simplesmente chucros, pois destes se espera muita coisa mas podemos canalizar sua energia e força para trabalhos produtivos.  Porém os pôneis nos enganam com a sua tibieza pretensamente positiva. São nefastos, pois com suas boas intenções distorcidas detonam a eficácia e a eficiência do serviço.

Talvez seja por isso que a publicidade da Nissan acertou o alvo e tornou-se viral pela rede mundial de computadores, fez sucesso na TV e alavancou as vendas dos carros. O inconsciente coletivo identificou esses espécimes que se esgueiram pelo imaginário tentando enganar os incautos com suas atitudes pueris e inúteis.

E você, já fez o mapa zoológico do seu nicho ecológico?

Para cantar a letra da música:

“Pônei maldito, pônei maldito, venha com a gente atolar! Odeio barro, odeio lama, que nojinho, não vou sair do lugar!”

Serviço: A peça publicitária é criação da Lew Lara\TBWA.  Max Geraldo e Cesar Herszkowicz são os criadores e a direção de criação é de Jaques Lewkowicz, Manir Fadel e Mariana Sá. A produtora é a Corporação Fantástica, com direção de cena de Marlon Klug e a trilha da Satélite Áudio.

Fonte: 

segunda-feira, 12 de setembro de 2011

Convite para festa de lançamento - Coleção Eduardo Sanoviz de Turismo


A coleção está completa, em sua primeira fase. Na próxima quarta-feira, teremos o coquetel de lançamento com muitas conversas, risadas, talvez fofocas e certamente um coquetel. Todas (os) estão convidadas (os) para encontrar as (os) autoras (es), amigos, conhecidos e ampliar o networking.

Abaixo reproduzi alguns trechos de minha postagem de 20 de junho contando a história dessa coleção inédita, com nomes internacionais e nacionais de turismo.


Temos novidades no campo editorial em turismo. A editora Elsevier (grupo internacional que comprou a editora brasileira Campus) reconheceu que o mercado editorial brasileiro em turismo precisava de investimentos em novos títulos mas que, por outro lado, possui características definidas e exigências específicas que precisam ser respeitadas.

Eduardo Sanovicz foi presidente da Embratur durante o governo Lula e agora está na equipe de professores da Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP onde é nosso colega. Sanovicz também presta consultoria da Reed Exhibitions, braço internacional de eventos do grupo ligado à Elsevier. Com toda sua experiência, contatos e habilidades, Sanovicz percebeu que havia uma equipe disposta a repensar os livros sobre viagens, turismo e hospitalidade no país.

Aqui entre nós, entre a concepção do projeto e o seu lançamento menos de um ano se passou, todos os envolvidos cumpriram seus cronogramas. A Elsevier investe no mercado nacional agregando autores(as) brasileiros(as) e respeitando as características desse imenso país que hoje exige estudos específicos de seus cenários e possibilidades. Reunir autores nacionais e estrangeiros em obras adaptadas e direcionadas ao Brasil mostra a importância do nosso país e a responsabilidade que temos para com a pesquisa e a educação em viagens, turismo e hospitalidade. De todos esses autores e autoras vários são turismólogos (Marcelo, Mariana, Débora, eu) e outros são das áreas de hotelaria, lazer ou gestão de eventos. São todos altamente especializados e comprometidos com seus campos de ação. 

sábado, 10 de setembro de 2011

September, 11, 2001 - minha história

Cada um de nós lembra bem onde estava, o que fazia e como reagiu ao 11 de setembro de 2001. Minha história, daquele dia, é assim:


Para mim, o dia 11 de setembro de 2011 começou bem cedo. Depois de voar a noite toda, vindo de Roma, pousei às cinco da manhã no aeroporto de Guarulhos, a bordo de um 767 da Varig. Estive no congresso da AIEST (Associação Internacional de Especialistas Científicos do Turismo), em Malta, e depois passei uns dias em Taormina, na Sicília. Um primo de Campinas, o Celso, estava em férias e nos encontramos na Itália, programados para regressar juntos ao Brasil.


Foram dias agradáveis, curtindo o suave outono mediterrâneo, tão parecido com o outono ensolarado de Nova Iorque. Ainda na viagem soube do seqüestro da filha do Silvio Santos  e me admirei com a ousadia dos bandidos.

Quando chegamos em Guarulhos o Celso pegou um ônibus para Campinas e eu fui de táxi, para meu apartamento em São Paulo. Logo que me sentei comentei com o motorista sobre a violência no país com o sequestro e tudo. O motorista me disse que isso não era nada e que na noite anterior mataram o prefeito de Campinas. Isso muito me espantou, pois conhecia o Toninho, era colega docente da PUC-Campinas e trabalhamos juntos na gestão municipal da cidade, entre 1989 e 1992. Ele era o vice-prefeito e Secretário de Obras, até brigar com o prefeito Jacó Bittar e se retirar da administração. Cheguei em casa e fui correndo tomar banho e desarrumar as malas. Queria chegar o quanto antes ao trabalho e saber as notícias telefonando aos amigos de Campinas. Naqueles dias eu era o diretor de turismo e hotelaria do Senac São Paulo, trabalhando na avenida Francisco Matarazzo, em Perdizes e dava aulas na PUC-Campinas.

Antes de sair parei na portaria do edifício para buscar a correspondência. Enquanto selecionava as cartas ouvi pelo rádio do zelador uma notícia confirmando a colisão de um jato comercial com uma das torres do World Trade Center, em Nova Iorque. Achei aquilo muito estranho, peguei o carro e fui para o Senac. Encontrei minha mesa repleta de papéis, pois ficara fora duas semanas. Pedi para minha secretária procurar notícias sobre um acidente aéreo em Nova Iorque enquanto ligava o computador, fazia uns telefonemas urgentes e começava a despachar a papelada. Então a secretária trouxe uma folha impressa onde dizia que um outro avião se chocara contra a torre sul do WTC. A Internet estava muito lenta, mas quando consegui acessar a torre sul tinha caído. Tentei ligar a TV na sala ao lado mas o sinal estava péssimo. Esqueci o Toninho, os telefonemas do trabalho e fiquei ligado na Internet. Quando a segunda torre caiu telefonei para o Grande Hotel São Pedro e, tocado por uma paranóia hollywoodiana, falei com o gerente geral para reforçar a segurança no complexo como se aquilo fosse um alvo estratégico. Então liguei para meus chefes na diretoria regional do Senac. Estavam em frente à TV, assim como bilhões de pessoas, vendo espantados a história mudar ante nossos olhos. Fui para a sala dos professores e dei a notícia aos que por lá estavam. Peguei o carro e fui para casa assistir a TV. Eu conhecia o World Trade Center, tinha subido numa das torres, aquela com um mirante para visitantes, lá no topo. Uma vez passeei de helicóptero por Nova Iorque e o roteiro passava ao lado do WTC. Era estranho ver o colapso daquelas torres tão retas e sem graça arquitetônica, mas que eram os símbolos do poderio econômico norte-americano, como o Pentágono era o símbolo do poderio militar.

Voltei à tarde para o Senac e lá fiquei quieto, entre o despacho automático dos papéis que me esperavam, os telefonemas para os amigos e a busca de notícias pela Internet, ainda lenta pela quantidade de acessos. Pensei nas minhas futuras aulas sobre cenários políticos, em como a imprensa e as pessoas já começavam a interpretar o evento, a ouvir os primeiros comentários ressentidos de anti-americanismo. Percebia-se a mudança pela atitude e discursos das pessoas. Nos próximos dias daria duas palestras sobre turismo e naqueles momentos não sabia exatamente como re-estruturar minha fala e as idéias.

À tarde liguei para eu primo e falei com os outros parentes de Campinas. Comentei com ele que enquanto voávamos num 767, um equipamento idêntico aos usados nos atentados, no continente ao norte os terroristas se preparavam para sua investida.

À noite assisti a todos os telejornais. Dormi cansado e pensativo. Não lembro dos sonhos. Lembro quase nada do dia 12 de setembro.





sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Febrachoco - Gramado, RS

Na quarta-feira teve início o Congresso Latino Americano do Chocolate e a Feira Brasileira do Mercado de Chocolate ( http://www.febrachoco.com.br/ ) em Gramado, RS. Fui convidado para dar a palestra de abertura, sobre os clusters de turismo e de chocolate. Para mim foi uma experiência nova - e deliciosa - participar de um evento gastronômico altamente especializado. 


Você tem ideia do tamanho do mercado de chocolate no mundo e o quanto ele pode crescer no Brasil?
Veja o ranking internacional e aposição do Brasil. Há muito o que crescer.

Ranking internacional de consumo

•1.Alemanha – 11,16 kg por pessoa/ano
•2.Reino Unido – 10,29 kg
•3.Suiça – 10,05 kg
•4.Bélgica – 9,25 kg
•5.Noruega – 8,76 kg
•6.Áustria – 8,22
•7.Dinamarca – 7,65 kg
•8.Irlanda – 7,64
•9.França – 7,07 kg
•10.Finlândia – 6,92 kg
•13. Brasil – 2,16 kg




O evento foi no Salão e Auditório de eventos de Gramado ...


... uma cidade eminentemente turística na Serra Gaúcha.


A pequena cidade é charmosa, construída para ser um espetáculo e tornou-se cara nos últimos anos.


Mas come-se e bebe-se muito bem. Acima é parte do bufê de café-da-manha do hotel Laghetto, onde fiquei hospedado. É o padrão de Gramado e Canela.


Nestor Tissot é o prefeito de Gramado. Sorridente e simpático, veio cumprimentar pessoalmente os participantes do evento.


Estava um dia lindo e frio.


A cidade superlota em julho e dezembro (por ocasião do Natal Luz). O ideal é visitá-la fora das altas temporadas turísticas para curtir as ruas, restaurantes e atrações sem as turbas e hordas de turistas.


Fiz a palestra de abertura, que foi bem legal. Mas depois teve a palestra da Samantha Aquim (acima), uma chef chocolatier carioca, que foi um arraso. Veja o site de sua empresa http://www.aquimgastronomia.com.br/ e descubra porque ela está inovando no mercado brasileiro de chocolates gourmet. Ela desenvolveu uma pesquisa numa fazenda de cacau em Ilhéus (BA) e conseguiu fabricar chocolates com amêndoas de cacau selecionadas e torradas artesanalmente. Fizemos uma degustação com seis tipos de chocolate até chegar no que ela denomina Q Zero, uma peça com 77% de cacau que oferece um sabor e um aroma diferente de tudo o que você já experimentou. Nada de baunilha, leite, muito açucar ou aromatizantes, mas o puro cacau brasileiro.

Algumas de suas frases:

"A comida é o cheiro da comida. O gosto vem do aroma."


"Nosso chocolate tem uma sabor mais difícil porque ainda é desconhecido e raro."


"A pessoa come chocolate com o único intuito de se dar prazer."

Almocei com ela e seu gerente de lojas (do Rio de Janeiro), antes de nossas palestras, e aprendi muito sobre a arte e o imaginário (a cultura) do cacau e do chocolate. Depois, na palestra, teve a degustação de sua produção mais sofisticada e instigante: o chocolate Q Zero.

Veja a história do produto no site:

http://www.aquimgastronomia.com.br/releases/Release_Aquim_Q0-versao30.pdf


A magia da amêndoa perfeita e a descoberta de seu universo. Essa é a frase de apresentação do Q Zero. É uma hierofania do sabor, uma revelação de uma faceta desconhecida da gastronomia brasileira e global. O topo de linha de seus produtos é essa caixa acima. São apenas 200 caixas por ano, numeradas e com código de barra. Cada caixa contém seis blends de chocolate feitos a partir de diferentes combinações de Q, que ressaltam, cada um, uma qualidade do chocolate e divididos em dois grandes grupos, intenso e suave: Q30s; Q30i; Q50s; Q50i; Q70s; Q70i. Os números indicam a quantidade de chocolate Q contido em cada uma das variações.  O Q é vendido em uma caixa-degustação feita de imbuia, com três barras do chocolate, sete pastilhas de cada um dos blends (42 no total), um livro sobre o processo Q e uma pinça de pontas folhadas a ouro, apropriada para se degustar o chocolate. Oscar Niemayer desenhou a forma das três barras maiores. Há um livro que conta a história do produto e explica o caminho sensorial para aproveitar a intensidade do sabor. Cada caixa custa R$ 1.580,00.


Gramado tem cerca de seis fábricas principais de chocolate (a mais famosa é a Prawer) e dezenas de fábricas menores.


Os estilos e sabores são muito diferentes.


Os odores e cores enfeitam os produtos e aguçam o paladar. E a gula.


Se essas fotos transmitissem o odor...


Chocólatras e admiradores menos selvagens se refestelam pelas lojas e restaurantes.


No exterior há muitas marcas gourmet, mas as mais famosas e sofisticadas são:

•Confiserie Sprungli e  Lindt (1845, Suiça) 
•Leysieffer (1909, Alemanha)
•Neuhaus (1857, Bélgica)
•Godiva (1926, Bélgica)
•Valrhona (1922, França)



Entre as muitas lojas de artesanato e roupas de Gramado e Canela, destacam-se a de que vende cucos importados, porcelana e outras belezinhas.

Finalmente, meu agradecimento especial ao amigo da EACH-USP, Prof. Dr. José Roberto Yasoshima que me enviou valiosas informações sobre o setor de chocolate.