segunda-feira, 11 de março de 2013

A viagem - reflexões com nossos alunos(as)






Tem uma disciplina que ofereço para o primeiro ano de Lazer e Turismo, da EACH, que eu curto muito: História da Cultura, do Lazer e do Turismo. É uma viagem pela literatura, mitologia, artes, história, filosofia, nos diversos aspectos relacionados ao ato de viajar. 

Uma viagem é uma ruptura do cotidiano e, ao mesmo tempo, um encontro com nossas expectativas e desejos. Ao nos perdermos no insólito, como estrangeiros, “estranhos numa terra estranha”, talvez busquemos sentidos e significados em nosso próprio passado, na experiência de vida construída a partir do lugar onde nascemos e começamos a entender a vida e suas coisas misteriosas e fascinantes. Assim como os primeiros seres humanos tiveram consciência paulatina do que era seu mundo, também emergimos para uma consciência que primeiramente descortinou o que vimos, sentimos e pensamos sobre nossa existência. 


 Se esse universo é pleno de perigos, também é pródigo em encantos e surpresas agradáveis. “Porque a viagem é geralmente um prazer triste e parcialmente masoquista, a chegada em um lugar obscuro e sombriamente pitoresco é uma das delícias do viajante.” (Theroux, 2012, p. 3). Chegar à noite em um vilarejo distante, sem a percepção de seus arredores ou cenários, é como mergulhar em um estado de perda de referenciais. Então emerge a necessidade atávica de responder prontamente ao desconhecido que, geralmente, abriga ameaças subliminares e perigos latentes.

Cruzar fronteiras e descobrir outras facetas do mundo, das pessoas e de si mesmo. A descoberta de um mundo que, aos primeiros olhares da infância ou da ingenuidade, nos parece infinito e eterno. Talvez até seja. Com o tempo, percebemos que nunca descobriremos tudo e alguns mistérios permanecem, apesar de nossos esforços para desvendá-los. O que fica é o Amor, Eros em sua plenitude, pairando sobre o futuro certo que nos levará à morte, mas que não consegue inibir a aventura da vida que nos foi dada. Nada é eterno, mas a vida vale ser vivida. Assim acontece com o navegador, personagem de Morris West, que sai em busca de uma ilha distante no Pacífico, de um lugar sagrado onde vão morrer os alii, os grandes chefes e os grandes navegantes. Isso aconteceu com os europeus e outros povos que colonizaram, evangelizaram, exploraram, escravizaram, profanaram as outras terras, onde encontraram mistérios insondáveis e ali deixaram suas vidas, mesmo os que voltaram aos seus países, pois voltaram transformados de maneira inexorável. O mesmo ocorre com os africanos, americanos, asiáticos, os insulares de todos os oceanos, quando deixam suas terras para ver outros mundos e conhecer outras realidades. A viagem nos transforma em algo diferente do nosso antigo Eu. 



Na primeira aula pedi que me dissessem, em uma palavra, o que seria uma viagem. Veja o elenco de palavras, sensações e desejos sobre a viagem:

Fuga, busca de liberdade,
Descanso, novas experiências e sensações,
Encantamento, diversão, vivenciar novas culturas,
Satisfazer desejos, realização pessoal,
“camaleão”, desvirtuar, deliciar-se,
Inenarrável, insubstituível, indescritível,
Inesquecível, incomparável,
Vivências, uma nova forma de adaptação à realidade,
Mais lazer, algo maravilhoso, novo,
Viver, sentir-se diferente, rejuvenescer,
Algo gratificante, necessário, purificante,
Brincar com o desconhecido,
Valiosa, excepcional, permitir-se,
Desconexão dos problemas,
Mudança, relaxamento, renovação,
Experiência individual, interessante,
surpreendente, aprender,
Conhecer novas paisagens, arriscar-se,
Emocionante, felicidade, oportunidade,
Cansaço,
Auto-conhecimento,
Prazer...

Outros ainda escreveriam tantas outras coisas...

Luiz Gonzaga Godoi Trigo

sexta-feira, 1 de março de 2013

Viagens, meteoros e Papas




Os dois primeiros meses de 2013 foram ricos em novidades, experiências e algumas surpresas, umas agradáveis e outras nem tanto. Se o ano todo for nesse pique será dos mais excitantes e instigantes, além de divertidos. Vale comentar alguns dos eventos.

A viagem

Passei as férias na Espanha. É um país que eu curto por vários motivos: adoro a cultura, falo a língua, é desenvolvido (apesar da crise econômica), descolado, a comida é deliciosa, os vinhos inebriantemente saborosos e as artes estão em todos os lugares. Para mim os templos de consumo são as livrarias, os restaurantes e as catedrais repletas de tesouros artísticos. Gosto de andar por suas ruas que cortam cenários medievais ou pós-modernos, numa sucessão de sensações urbanas unidas por paisagens naturais de campos, praias, montanhas e vastidões selvagens que nos fazem ouvir os murmúrios encantadores da história. Adoro suas cidadelas fortificadas, muralhas, telhados monumentais e fachadas construídas com vaidade, competência e desejo de mostrar ao mundo o poderio de seus povos.
Nessa viagem terminei meu último livro, justamente sobre o sentido e o significado das viagens. Revi o texto, anteriormente já revisado por um amigo editor, o Marcos Marcionilo; agreguei algumas informações com base em leituras feitas na Espanha; ainda tive algumas dicas do amigo espanhol, Félix Tomillo, um senhor imerso na cultura clássica e apaixonado pelos estudos relacionados a viagens e turismo. O livro será publicado este ano. Posteriormente farei postagens contando os bastidores de seu longo processo (quatro anos) de tessitura e lapidação estilística. 

 A catedral de Girona, cidade onde passei o reveillon.

O céu que nos assusta

No dia 15 de fevereiro, era esperada a aproximação de um asteroide (batizado de 2012 DA14) que passaria muito perto da Terra. Ele resvalou por nosso planeta, chegando a 30 mil quilômetros de distância, no auge da aproximação em uma trajetória amplamente conhecida e divulgada pelos astrônomos. Porém, antes disso, um meteorito totalmente inesperado e desconhecido explodiu sobre os céus dos Montes Urais, na Rússia. Por ser bem menor, o bólido não foi previamente identificado e despedaçou-se na atmosfera, caindo como um raio no céu azul, ferindo mais de mil pessoas e causando prejuízos de uns 30 milhões de dólares. Mas, e se fosse um grande asteroide, como o que causou a extinção dos dinossauros há uns 65 milhões de anos, que estivesse em rota de colisão conosco, provavelmente não teríamos muito a fazer para evitar uma devastação global e o fim da civilização como conhecemos, talvez mesmo o fim da espécie humana e de outras espécies que conosco compartilham o planeta. Há um livro de Paul Bowles, cujo título O céu que nos protege (1949), remeteria a uma frase de Shakespeare sobre o céu que nos protege dos horrores e da frieza do universo desconhecido. Naquele dia de fevereiro o céu nos deu um sorriso irônico ao lembrar que a proteção existe, mas é frágil e delicada como o restante do planeta, quando comparado com a vastidão do universo e a imensidão das fornalhas nucleares estelares que formam as galáxias.  


O Papa e os corvos

A renúncia de Bento XVI, em plena época do carnaval brasileiro, não foi surpresa para quem acompanhava os desmandos, mentiras e ardis perpetrados por alguns cardeais, monsenhores e funcionários inescrupulosos do núcleo da igreja Católica, articulados e imersos em seus nichos de poder nos subterrâneos labirínticos da política Vaticana. Ao contrário do asteroide russo, não foi um raio no céu azul, mas o resultado de tempestades que se formavam no cenário diplomático, financeiro, moral e institucional da duplamente milenar Igreja Católica Apostólica Romana. A renúncia não foi apenas uma “demonstração de extrema humildade e desapego”, mas provavelmente uma resposta vigorosa de Josef Ratzinger  a uma quebra de confiança por parte de seus colaboradores mais próximos, na intimidade do Vaticano. O caso do mordomo Paolo Gabrieli, que vazou documentos pessoais e secretos para fora dos aposentos papais nunca ficou bem explicado. Os documentos implicados no escândalo Vatileaks, outro vazamento de fontes sigilosas, foi mais um duro golpe. A disputa entre os cardeais Tarcisio Bertone e Angelo Sodano, com seus respectivos grupos, ultrapassou os limites da decência e da ética e ganhou espaço na mídia global, inclusive a mais sensacionalista. Os escândalos financeiros envolvendo o IOR – Instituto das Obras da Religião, conhecido como o Banco do Vaticano, tem história desde a década de 1970, com o famigerado arcebispo Paul Marcinkus e seu grupo de banqueiros nefastos como Roberto Calvi e Michele Sindona. A morte do Papa João Paulo I (29 de setembro de 1978), apenas trinta e três dias após sua eleição suscitou comentários e acusações, principalmente porque ele tinha prometido intervir severamente no IOR. O livro de David Yallop, Em nome de Deus (1984), e o filme O poderoso chefão III (direção de Francis F. Coppola, 1990) insinuam o assassinato do Papa Albino Luciani. A sucessão de casos de pedofilia nos Estados Unidos, Canadá, Alemanha, Irlanda e outros países e a proteção que vários desses criminosos tiveram de seus bispos, levaram a processos judiciais e ampla exposição na mídia, o que causou profundo desgaste para a Igreja e centenas de milhões de dólares em indenizações que causaram dificuldades para muitas dioceses. David Yallop comenta também os escândalos de alguns cardeais e altos funcionários do Vaticano, heteros e homossexuais, que organizariam festinhas privadas com muito sexo, bebidas e um elevado espírito dionisíaco nas dependências cristãs, pretensamente pulcras, castas e sóbrias. Jornais comentaram as pressões que os grupos gays do clero sofreriam (chantagens, ameaças) e, por sua vez, também provocariam, em uma chamada “máfia gay” da Igreja, preocupada em manter seus privilégios, poderes e jovens amantes, laicos ou religiosos. 


Há ainda as pressões do mundo laico para flexibilizar posturas históricas como o celibato clerical, o sacerdócio das mulheres e a autorização para uniões entre os mesmos sexos; o crescimento de outras religiões, inclusive as não institucionalizadas (new age, grupos místicos livres etc.); a mudança do poder econômico para países não-cristãos (Ásia, Oriente Médio, parte da África), o que acarretaria menos recursos para as igrejas cristãs. Tudo isso abalou profundamente Ratzinger, já idoso e com problemas de saúde. Restou a renúncia e a produção de um relatório confidencial de 300 páginas sobre os problemas, desmandos e segredos de uma das instituições mais antigas do mundo. Infelizmente esse relatório destinou-se apenas aos cardeais que participarão do Conclave, restando a nós especulações sobre seu conteúdo. Mas, se não for divulgado, é porque contém temas delicados para os fiéis. A história julgará se essa renúncia foi uma derrota silenciosa ou mais um golpe genial de um dos maiores intelectuais católicos contemporâneos para preservar a dignidade e a continuidade ética da Igreja Católica. Para os fiéis foi uma surpresa ou um choque. Para alguns fica a ideia de que nem o Papa Bento XVI, um rigoroso e competente intelectual alemão, aguentou a política secular, podre e nefasta da Cúria Romana. O espírito Santo terá trabalho extra no próximo conclave que se realiza nesta quaresma, com a Sé Vacante de Roma. Que a próxima fumaça branca traga as virtudes primordiais do cristianismo: fé, esperança e, especialmente, a caridade.


sexta-feira, 15 de fevereiro de 2013

Uma história dos velhos carnavais







Essa foto postada pela minha amiga e jornalista, Vera Longhini, no Facebook, me fez lembrar uma incrível história de carnaval, que nunca contei a ninguém. Até agora. Foi uma situação-limite causada por minha inexperiência, criatividade e imprudência. Terminou bem, mas o desastre flertou intensamente em minha estreia como Diretor de Turismo de Campinas. A sorte foi que os jornalistas estavam longe da encrenca e a maior parte já tinha ido embora naquela madrugada de quarta-feira de cinzas, 9 de fevereiro de 1989. Na foto estou em pé, na última fila, de óculos e já com pouco cabelo, apesar dos trinta anos.

Tudo começou quando no início de 1988, fui contratado pela PUC-Campinas para ser professor do curso de turismo. Outro fato importante é que, desde 23 de outubro de 1987, eu escrevia quinzenalmente uma matéria sobre um destino internacional no suplemento de turismo do jornal Correio Popular, de Campinas. Como o curso de jornalismo da PUCC era no mesmo instituto, eu conhecia uma boa parte dos jornalistas da cidade, pois vários eram colegas professores. No final do ano o PT ganhou as eleições para diversas cidades como Piracicaba, Santos, São Paulo e Campinas. O prefeito eleito, Jacó Bittar, era uma figura importante na política. Fundador do PT, ex-líder sindical da Petrobrás, amigo pessoal do Lula, graduado em direito pela PUCC e político pragmático, Jacó convidou o Marco Aurélio Garcia (futuro assessor internacional do Lula e da Dilma) para ser o secretário de Cultura, Esportes e Turismo. Professor de história da Unicamp, Garcia trouxe dois jovens diretores para as áreas e cultura e esportes, mas não conhecia gente do turismo. O maior problema era que o carnaval de 1989 acontecia no início de fevereiro e a prefeitura tinha um tempo exíguo para organizar a farra. Foi quando chegaram ao meu nome. Um jovem professor de turismo que se tornava um pouco conhecido na cidade graças às suas matérias no principal jornal da terra. Eu apoiara a chapa do Jacó e Toninho (Antonio Costa Santos, assassinado em 10 de setembro de 2001, quando era prefeito de Campinas) publicamente e o Marco Aurélio me chamou para saber se eu assumiria e resolveria o carnaval. Topei e fui à luta.

Não havia verbas deixadas pela administração anterior e o Jacó conseguiu um belo patrocínio da Petrobrás e da Coca-Cola. Com a estrutura da prefeitura e a equipe do Departamento de Turismo (uma ótima equipe, muitos graduados pela PUCC) organizamos os bailes populares e o desfile das escolas de samba que aconteciam nas noites de domingo e terça-feira. Partido novo, gente nova, tivemos um grande apoio da mídia, das universidades, das próprias escolas e de muita gente. Foi aí que tive a ideia fatídica, imediatamente aceita pelo PT, pela prefeitura e por boa parte do público: encerrar o carnaval de rua de Campinas com um bloco do PT, caracterizando assim o “carnaval da vitória”.  

Tudo foi dando certo: o diretor da Faculdade de Letras da PUCC emprestou as salas para as reuniões, em dezembro, pois só a partir de janeiro teríamos a posse da Prefeitura; as eleições de Rei Momo e Rainha do Carnaval ocorreram graças ao SESC Campinas, que emprestou as instalações; os funcionários municipais, CPFL, Polícia Militar, bombeiros e um monte de fornecedores trabalharam duro na estrutura que tomava uma das principais avenidas da cidade; o jornalistas, curiosos em ver como o PT se sairia em um evento popular, fizeram a maior divulgação. Emagreci uns cinco quilos naquelas semanas, mas quando rolaram os bailes populares e o primeiro desfile tomou conta da avenida, no domingo, vi que tudo dera certo. Na noite de terça-feira seria o grande final (apesar da apuração de votos, na quarta-feira, mas isso era outra história). O desfile seria encerrado pela Estrela Dalva, campeã do ano anterior. Depois viria o famoso bloco do PT e a Polícia Militar, que garantia a segurança. 

A encrenca começou para decidir como o bloco sairia, quem participaria e outras questões difíceis de decidir quando tomo mundo dá palpites. Havia uma antipatia mútua entre o PT e a PM, fruto dos anos de ditadura e das lutas democráticas. Então o pessoal do PT não queria que a PM fosse atrás do bloco, uma bobagem na prática, mas uma ação simbólica significativa. Eu estava o início da concentração com vários colegas da administração me ajudando.  A Estrela Dalva saiu, fomos atrás, um tenente antipático da PM não gostou nada das provocações (sim, a gente provocou a PM, fruto de imaturidade e vontade de desforra pelos anos de chumbo) e a coisa foi engrossando. A PM cercou o bloco para evitar que populares participassem. Começou uma pressão física tendendo para um empurra-empurra e aí vi que a festa poderia terminar, naquela madrugada, em pancadaria. Um péssimo final para a primeira festa popular de um partido dos trabalhadores. O presidente da escola (não lembro o nome desse santo homem, já falecido), vendo a asneira feita por nós, policiais e militantes, me perguntou se queria que ele parasse a escola, algo impensável num desfile, pois uma escola de samba não para depois que começa o seu périplo. Disse que sim e fui correndo ao palanque chamar o prefeito. Quando contei ao Jacó, ele percebeu na hora o rolo armado e foi comigo até o conflito, a uns duzentos metros do palanque. Não havia mais jornalistas, pois o desfile oficial terminara. Menos mal para a administração e a PM. 

Quando o tenente viu que eu voltava com o prefeito, começou a me acusar. Devolvi os argumentos e começamos a gritar um com o outro. Jacó, que era mais bravo e teimoso que nós, berrou ordens, ordenou à PM que ficasse na retaguarda, que todo mundo se calasse e a Estrela alva prosseguisse. E assim foi. A escola de samba, o bloco do PT e a polícia, todo mundo fazendo carão, terminando o carnaval de 1989 em grande estilo. Foi uma grande festa na dispersão, fui beijado, abraçado, a PM se mandou e a cidade amanheceu na paz das avenidas cobertas com confete e serpentina.

No ano seguinte veio um novo oficial da PM cuidar da segurança da festa. Ficamos amigos, resolvemos os problemas que surgiram, e lá fiquei, os quatro anos da administração. Quando logo depois, em uma das entrevistas, me perguntaram se era a primeira vez que rolava o bloco do PT eu respondi: não, essa foi a última vez. E fomos felizes para sempre.

Luiz Gonzaga Godoi Trigo




quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Impressões espanholas (2) - The Westin Palace

Poucos hotéis conseguem completar um século mantendo suas glórias, a qualidade de serviço e um estilo próprio.


O Palace Hotel, de Madrid, conseguiu. Pertencente à rede Westin, da Starwood Hotels, a propriedade é um marco da hotelaria e mereceu publicações comemorativas para celebrar seus 100 anos.


É um hotel de luxo, com arquitetura, mobiliário, obras de arte e utensílios exclusivos.



Esse prato mostra o hotel na época da inauguração, em 1912.



A foto, tirada em janeiro de 2013, mostra como a propriedade está nova, graças às remodelações e os cuidados com a manutenção e modernização do hotel.


A cúpula do ball room foi construída em vidraçaria colorida, montada em estrutura metálica e decorada com mobiles e lustres dourados.


O café da manhã, os almoços e jantares solenes acontecem nesse espaço privilegiado.


Um museu foi organizado no andar térreo do hotel para ilustrar os momentos que marcaram o Palace ao longo de um século.


A memória merece ser celebrada com orgulho, pois é raro um empreendimento se manter por décadas no topo de um segmento, como acontece com o hotel de Madrid. Note, à esquerda, um mural formado por rostos dos funcionário(as), um sinal de respeito aos responsáveis diretos pelo sucesso de qualquer grande projeto.


Quando entrei no hotel, pensando em fotografar seus ambientes por causa do centenário, bastou pedir à recepção para ser autorizado com um sorriso de genuínas boas vindas.  Todo o andar térreo é aberto para visitação, inclusive ao pequeno museu.


Essa prensa para extarir o suco dos patos, é uma peça importante...


... montada em prata para ser um instrumento do antigo espetáculo gastronômico.



O hotel merece mais alguns séculos de sucesso.

Para conhecer mais: http://www.westinpalacemadrid.com/en


domingo, 20 de janeiro de 2013

Impressões espanholas (1)



Férias significam, para mim e nessa fase da vida, lugares para curtir sem muita gente ao redor, com conforto, qualidade de serviço e preços razoáveis. Com boas comidas e bebidas, cultura, gente descolada e tudo o mais. A Espanha e Portugal encaixam-se perfeitamente nesse contexto. Claro que há outros lugares pela Europa e pelo mundo, mas a península Ibérica tem seus encantos. Por lá, sinto que meu DNA reconhece suas taras atávicas e se refestela numa civilização que tem tudo a ver comigo. Comecei minha viagem pela Epanha chegando em Barcelona. Da janela do Novotel, tinha essa vista da igreja da Sagrada Família, a grande obra de Gaudí. Um monumento em pedra à fé, à fantasia, ao devaneio, à capacidade humana de expressar em um meio físico a sua ânsia de transcedentalidade, começando pela estética. 



Voltei à Manresa, na gruta onde Santo Ignácio de Loyola escreveu seus Exercícios Espirituais. Hoje o lugar chama-se Cueva de Ignácio e é um centro internacional de espiritualidade. O link é:  http://covamanresa.cat/
Na foto, estou no altar da Cueva, em frente a um quadro que representa Ignácio escrevendo. Meu amigo da USP, o Reinaldo Pacheco, com sua esposa, Dirce, estavam comigo na visita. 

Parei em Tortosa (cerca de 200 km. de Barcelona), onde fiquei uma noite no Parador. Essa escultura fica no meio do rio que corta a cidade, feita em ferro fundido.


Esse é o acesso para o Parador. Há uns 90 Paradores na Espanha. Pertencem ao governo e vários estão em antigos mosteiros, fortes, palácios, igrejas ou casarões adaptados (ou reconstruídos) para hospedagem e gastronomia.

Crepúsculo em Tortosa, do alto do Parador.


Ao redor do Parador, que fica na parte mais alta da cidade, por ser um antigo castelo fortificado, amontoam-se casas em ruínas. Há muitos emigrantes pobres em Tortosa e a cidade é uma das poucas que possui seu casco historico bastante prejudicado pelas condições sociais.

Vista do prédio principal do Parador de Tortosa. Os blocos dos apartamentos ficam atrás e na lateral.

Entre as delícias de ditigir na Europa (pelo menos nos páises ocidentais) estão as boas estradas (muitas com pedágio), as paisagens, os bons carros e o fato dos motoristas sempre darem passagem à esquerda. Nunca, nem na Espanha, Portugal ou França), alguém me negou passagem. Eu penso que aquelas bestas que negam passagem à esquerda aqui no Brasil, são uns ressentidos, tem complexo de perdedores, devem ter problemas gastro-sexuais terríveis.


Essa escultura em pedra representa a evolução do universo, segundo o filósofo Ramón Llul. Está nos jardins do mosteiro beneditino de Montserrat (perto de Barcelona). Acho um ganho estético e existencial o fato de estar voltada ao abismo.


Essa menina levava a bandeja de doces para uma confeitaria. Disse que eu era blogueiro brasileiro e ela não se fez de envergonhada, posando com essa plataforma de açúcares e gorduras, feliz da vida.

A catedral de Segóvia. Um complexo arquitetônico gótico recheado de tesouros artísticos e históricos. Fiquei umas duas horas perambulando pelas capelas, corredores, abóbadas e recantos, plenos de quadros, esculturas, tapeçarias, peças religiosas e uma atmosfera diáfana e atemporal.


A catedral vista da torre mais alta do Alcázar, antiga fortaleza dos reis espenhóis, em Segóvia.


O complexo do Alcázar. Um dos castelos que respondem ao nosso imaginário sobre castelos, realeza e batalhas medievais. Deve ter algum ovo de dragão perdido nas masmorras.


Ávila. Um dos centros espirituais da Europa. Terra de Santa Tereza ( a primeira mulher doutora da Igreja Católica), São João da Cruz (ambos do século XVI), de místicos islâmicos e judeus. Suas muralhas são das mais bem conservadas da Europa. A catedral da cidade (na foto) está incrustrada no complexo fortificado e faz parte do sistema de defesa da cidade, que nunca foi invalida pelos infiéis.


Ávila, Segóvia, Salamanca e Valladolid são importantes cidades situadas entre 100 e 200 km de Madrid, sendo as três primeirasPatrimônios Culturais da Humanidade. Mas em Valladolid está o Museu Nacional de Escultura, uma das belezas do tesouro artístico espanhol.


Crepúsculo em Ávila, visto da parte alta da cidade.


Ávila e suas muralhas, vista da estrada.


Esse é o fac-símile da Bíblia de São Luís (1234). Está na catedral de Segóvia.



Em Segóvia. fui ao restaurante José Maria comer o cochinillo (leitãozinho), indicado pelo Félix Tomillo, nosso amigo ibérico.


Uma marca de Segóvia é o antigo aqueduto romano.



Essa é a catedral de Salamanca, estou na parte superior, onde seria o coro. Dá para ver a rachadura na parede bem em frente? Veja abaixo.


Essa rachadura foi feita no dia 1 de novembro de 1755, dia do terremoto que devastou Lisboa, matando umas 30 mil pessoas. Os efeitos foram sentidos na Espanha e no norte da África. Os engenheiros da época disseram que não haveria problema e deviam estar certos, pois se passaram mais de 250 anos e o edifício está em pé. Em Lisboa, várias igrejas desabaram matando os fiéis que lotavam as missas do dia de Todos os Santos.


Vista de Salamanca, do alto da catedral.

Essa é a magnífica porta da Universidad de Salamanca, a mais antiga do mundo. É possível visitar a universidade, ver suas salas antigas, o claustro, a biblioteca e depois comprar lembranças numa loja bem legal. Os cursos e administração estão esparramados  por outros edifícios da cidade. O prédio original é para visitação e para atividades acadêmicas especiais.


sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Férias e contatos na Espanha


Se você acompanhou algumas das minhas postagens no Facebook, viu que há vários docentes da EACH-USP aqui, na Catalunha, Espanha. Os catalões estão loucos da vida com o governo de Madrid e há um forte movimento separatista que levanta paixões dos dois lados, mas por enquanto "la capital sigue siendo Madrid", como diz um amigo brasileiro.
 
Há um velho caso de amor entre nossa turma de Lazer e Turismo da EACH e a Espanha. Claro que temos contato com a Inglaterra, Austrália, Argentina e ours países, mas esse inverno europeu concentrou parte de nossa turma por aqui. Vamos à gênesis desse amor correspondido:
 
Há duas vertentes principais. Uma delas une o prof. Alexandre Panosso ao prof. Félix Tomillo, da Universidade de Valladolid, em Castilla. Panosso fez o pós-doc em Valladolid, Félix doou à EACH uma biblioteca especializada em turismo e já nos visitamos algumas vezes.  
 
A outra vertente começou com nosso professor, Antonio Carlos Sarti, que conhecia a turma das Universidades de Barcelona (Jordi Tresserras e Juan Carlos) e de Girona (Lluis Mundé), com os quais me encontrei nessa mesma viagem.
 
Desses contatos surgiu a Cátedra Unesco de Turismo e Cultura, em 2012; os profs. Sidnei Raimundo e Ana Paula Fracalanza (sua esposa), estão fazendo pós-doc em Girona e foi na casa deles onde passei esse reveillon; duas de nossas alunas já vieram, também em 2012; o prof. Reinaldo Pacheco (acompanhado de sua mulher, Dirce Maria) está aqui para fazer visitas a Girona (ontem nos encontramos em Barcelona); Sarti chega dia 17 de janeiro; e Panosso virá logo depois, mas para Valladolid.
 
Eu vim em férias, mas também para compar livros, escrever um pouco e encontrar essa turma toda, afinal estar com bons amigos em viagem é extremamente divertido e saudável, mas tem que ser gente legal, senão é melhor viajar solo.
 
Claro que esses contatos significam alguns dos projetos que serão implementados nos próximos anos, entre a USP e essas universidades. Essa é uma pequena parte do cipoal internacional que nos envolve, pois a USP está decidida a melhorar seu nível de envolvimento global, viabilizando a viagem de discentes e docentes para vários países e outros lugares do Brasil.
 
Há ainda o projeto (já feito e entregue para avaliação) de um mestrado em turismo, realizado entre a EACH e a ECA, para ser implementado a médio prazo; todos os contatos feitos por outros docentes de turismo e de lazer e vários eventos que aconteceram em 2012 e outros que virão. O prof. Ricardo Uvinha, por exemplo, além de ser da World Leisure Association, é da Comissão de Contatos Internacionais da EACH, articulando acordos e convênios com o mundo todo.
 
A VRERI (Vice-Reitoria Executiva de Relações Internacionais) da USP está muito atuante e a Universidade tem despontado cada vez mais nos rankings internacionais. Para sermos mais pontuados nesses rankings, teremos que fortalecer os laços internacionais com instituições significativas.
 
Essa é uma pequena parte da história. Hoje não deu para fazer upload das fotos porque o sistema local (Parador de Tortosa, perto do mar Mediterrâneo)  tem algumas limitações, mas em breve postarei algumas fotos. Lembro também que há muitos outros docentes articulados às questões internacionais, mas centrei essa postagem nos contatos espanhóis, pois é onde estamos curtindo o inverno europeu e as férias de final de ano.  
 
Salud y buenas vacaciones.
 
Luiz Gonzaga Godoi Trigo