quarta-feira, 14 de dezembro de 2011

13ª Festa do Livro da USP

Está rolando, de hoje (quarta-feira) até a próxima sexta (16/12), a 13 ª Festa do Livro, na Politécnica (engenharias) da USP, na Cidade Universitária (Butantã, São Paulo).



O barato da Festa do Livro é que tudo é oferecido com pelo menos 50% de desconto. São 140 editoras, localizadas nos prédios da Mecânica, Civil e no chamado Galpão.

O site do evento é: www.edusp.com.br/festadolivro



Do lado de fora há barraquinhas (comércio informal) com livros, bijuterias, camisetas, filmes e coisas do mundo da arte e da cultura popular.


Aí está a equipe de vendas da Editora Aleph, responsável por várias coleções descoladas.


O Adriano Frommer, um dos diretores da Aleph, trouxe para o Brasil os clássicos mais clássicos de ficção científica e domina esse segmento. Li preciosidades de Arthur Clarke, Asimov, Philip Dick e Frank Herbert em traduções precisas e com estilo proporcionadas pela Aleph.


A Aleph é uma das poucas editoras que continua a publicar na área de turismo e hospitalidade e seu consultor é meu amigo e colega da EACH-USP, Alexandre Panosso Netto, recém chegado do pós-doc em Valladolid, Espanha. Para 2012 há novidades. Enfim, é muito bom ver os nomes dos colegas ( e o seu próprio) nas capas dos livros.



A Poli - USP oferece cenários hodiernos para momentos bucólicos como esse, onde o jovem casal (amigos, amantes?) desfruta do ócio intelectual.



Algumas editoras tinham filas e morundum para a compra dos livros, em evidente sinal de que há mercado para a literatura, desde que os preços sejam razoáveis e de acordo com nossa realidade sócio-econômica.


Este ano a prestigiosa Editora Parábola voltou à Festa do Livro e levou seu lançamento mais glamuroso, a Gramática Pedagógica do Português Brasileiro, de Marcos Bagno, professor da universidade de Brasília e um dos mais importantes linguistas do país. O volumoso exemplar (1054 páginas, primorosamente editadas por Marcos Marcionilo, o exigente e severo editor da Parábola) é uma peça de bom gosto, estilo e capacidade técnica. A língua portuguesa acaba de ganhar um patrimônio fundamental.


No calor do verão brasileiro, os galpões lotaram com gente interessada em cultivar a mente e os momentos significativos e prazerosos que o conhecimento proporciona.



Montes de livros, milhares de títulos e autores, tanta coisa que eu não li, mas quanta coisa ficou na memória e excita a curiosidade...


As editoras Cosac Naify e a Companhia das Letras foram as que mais ajuntaram gente ao redor de seu magnífico catálogo. Acima, a fila para entrar no estande da Companhia das Letras.


Finalmente consegui comprar essa preciosidade do Fondo de Cultura Económica, do México: Plantas de los dioses - origenes del uso de los alucinógenos. Tenho a primeira edição, de 1979, e essa nova edição é de 2000, renovada e ampliada. É a obra máxima da área, escrita por Richard Evans Schultes e Albert Hofmann. Hofmann é  cientista que sintetizou o LSD e outros alcalóides psicoativos, nos laboratórios Sandoz, da Suiça, na década de 1930. Essa editora mexicana de primeiríssima linha tem sede na rua Bartira, 351, em Perdizes (São Paulo), ao lado da PUC-SP.

Entre livros e conversas passou-se o meio do dia de hoje. A luxúria do ócio intelectual é abissal. Vamos fundo.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Guia básico para festas corporativas

Final de ano é época de churrascos, festinhas, comemorações, coquetéis e até mesmo almoços ou jantares para comemorar a passagem simbólica de mais um ano. Quando a festa reúne colegas de trabalho, isso significa que alguns cuidados devem ser tomados para que você não pague micos ou seja o bobo da corte. Ou, ainda pior, seja demitido logo depois da farra ou tenha sua carreira comprometida. Festa de trabalho não tem nada a ver com festas familiares ou da universidade (quando se é estudante), onde geralmente a gente põe o pé na jaca e não se preocupa em ser pego de calças arriadas, aliás, muitas vezes faz questão disso mesmo.

Para evitar vexames e constrangimentos no mundo do trabalho, aqui está o Guia básico de Luiz Trigo para Festas Corporativas, um texto prático, exemplificado e comentado, para que você sobreviva às festas de final de ano e não fique com ressaca moral depois da esbórnia. Sei muito bem o que falo, porque nem sempre cumpri todas essas regras, mas sobrevivi aos percalços e geralmente soube onde amarrei minha capivara comportamental. Por via das dúvidas, leia e se cuide.

  1. Bebida

Cair de boca em tudo quanto é líquido é pavimentar o caminho para o desastre. O álcool nos deixa relaxados, informais, melancólicos, agressivos, desbocados e inconvenientes, não exatamente nessa ordem. Beba sem moderação só em casa ou com seus amigos íntimos e nunca com colegas de trabalho, porque seus chefes - aquelas pessoas que te detestam - estarão na festa esperando que você pise no tomate para te espinafrar. Não misture bebidas, não beba demais, não cuspa no chão e nem pense em usar drogas no banheiro ou no terraço, a menos que seja uma dessas festas bem cafajestes, bancadas por quem tem grana e quer te agradar para ganhar favores e os seus superiores são da camarilha, mas aí pode parar de ler isso aqui porque você está em outro nível. Em todo caso, lembre-se de que moral de bêbado não tem dono.

  1. Roupas

Sempre discretas, decentes e de qualidade. Se a festa for na piscina ou na praia, nada de sungas ou biquinis sumários. Se for algo informal, use tênis, jeans (ou bermudas) e camiseta. Para a noite ou em almoços mais formais, um blazer sempre dá um ar cerimonial. Evite gravata, a não ser que todo mundo use, o que é raro. Note que ninguém gosta de gordura, celulite ou estrias aparecendo e que higiene pessoal é obrigação básica. O mesmo vale para acessórios, cabelos, tatuagens, piercings ou marcas tribais, veja se o contexto cultural da festa permite certas liberalidades.

  1. A língua


Não fale mal da festa ou das pessoas que lá estão. Evidentemente essa é a parte mais divertida e sempre há muita gente que se expõe para ser ridicularizada ou achincalhada, mas ali não é o local adequado. Quando muito, comente com seus asseclas mais íntimos, lembrando que numa briga futura tudo pode ser usado contra você. Seja agradável, social, educado(a) e ouça mais do que fale, pois qualquer pessoa parece inteligente quando fica de boca fechada. Pode fazer comentários espirituosos ou contar casos interessantes, mas sem monopolizar a conversa ou querer se mostrar além do que é razoável e isso é difícil de delimitar. Nada de polemizar, discutir, fazer propaganda política ou religiosa, enaltecer seu time, fazer auto-elogios, mostrar fotos de suas crianças ou cicatrizes de acidentes ou cirurgias. Outra coisa, nada de propor o “jogo da verdade” com seus amiguinhos, pois sempre tem um(a) tonto(a) que não sabe quando parar de falar besteira sobre si mesmo e os outros, inclusive de você.  

  1. Onde ficar?


Circulando, fazendo networking, mudando de grupos e pessoas. Nada de se enfiar na sua panelinha e fazer carão aos outros, você não está numa balada. Não fique na frente de portas, escadas ou passagens atrapalhando o trânsito dos garçons ou dos convidados. Tenha certeza de que as pessoas que importam te viram na festa e cumprimente-os com sobriedade e polidez. Não grude em gente que não te quer por perto, a menos que você queira propositalmente irritar a criatura ou delimitar seu espaço profissional, mas não abuse desse artifício, pois festa é para se divertir e não para aporrinhar os outros.

  1. Como tratar as pessoas


Sem intimidades ou atrevimentos, sem gritar ou chamar a atenção para alguém ou um grupo. Fique na sua. Seus colegas não são seus amigos íntimos (muito menos seus chefes) e não é porque você tomou um vinho com sua superiora que ela vai te convidar para sua (dela) casa. Não fale palavrões fora do padrão médio do público onde você está. Não faça fofocas, intrigas, fuxicos ou conte piadas (muito) politicamente incorretas, você não sabe quem está ao seu lado ou qual a preferência sexual ou alimentar dos colegas. Se for apresentado a alguém mais velho, trate de senhor/senhora a menos que a pessoa libere o tratamento mais informal.

  1. Flertar 

Faça isso como os porco-espinhos fazem sexo: com cuidado, muito cuidado. Um olhar, uma gracinha de bom gosto ou um elogio espirituoso são passáveis. Agora, se perceber que teve permissão para aterrisar e gostou da oferta, converse, sorria, marque discretamente e saia para concretizar o pouso fora do ambiente profissional. Os outros na precisam saber com quem você dormiu depois da festa (ou durante, quem sabe). Atualmente o rótulo de “galinha” não pega muito bem, nem para homens, nem para mulheres. Se você trabalha num prostíbulo essa regra não se aplica, mas sempre há uma ética e etiqueta locais que precisam ser conhecidas e obedecidas em todos os lugares, até mesmo num lupanar.

  1. Estrepolias

Quer coisa melhor que subir na mesa, no meio da festa, berrar o nome do seu chefe e fazer uma rima terminando com hu-huuuuuu!!!  Mas é uma péssima idéia. Se você seguiu a regra número 1 (não beber), estará provavelmente livre desses micos execráveis como cantar músicas em coro, abrir a camisa para mostrar os músculos (ou a gordura), fazer trenzinho dançando com os colegas, tirar os sapatos ou jogar comidinhas (cerejas, amendoim, ovos de codorna, azeitonas, caroços de azeitonas) nos outros. Para aqueles(as) que piram apenas respirando oxigênio, não esqueçam de tomar gardenal antes da festa. O mesmo vale para certas brincadeiras e atividades recreativas, bom humor é bom, mas grosseria e chatices são detestáveis. Não tire fotos ou filme as pessoas em posições constrangedoras para depois colocar nas redes sociais, as festas corporativas são privadas e não devem ser expostas indiscriminadamente ao público. Eu mesmo, tenho algumas fotos indecentes de amigos(as) do setor profissional e morro de vontade de postar, mas enquanto  estiver lúcido não o farei.

  1. Dançar 

Sempre é bom e saudável, mas sem fazer coisas como a dança da garrafa, imitar travesti ou perua doida, encostar demais nas pessoas, passar a mão, dar tapas ou jogar os outros no chão, por mais que isso seja divertido e a gente já fez alguma vez na vida, provavelmente entre a adolescência e a senilidade. Faça isso na sua casa, mas nunca numa festa da empresa ou da instituição.

  1. Comida 

Pode comer à vontade e repetir (discretamente) quantas vezes quiser, mas nada de encher o prato ou falar de boca cheia. Se for uma dessas festas onde há comida para usar garfo e faca e não tiver onde sentar, procure algo que possa cortar com o garfo e mesmo assim você não terá uma terceira mão para segurar o copo. Nada de arrotar, fazer barulhos com a boca, palitar os dentes ou limpar os lábios na manga da sua camisa (muito menos nas dos outros). Não fale mal da comida; não elogie demais, pois você não passa fome; não se espante com entradas ou pratos exóticos, pois isso passa a imagem de jeca ou desinformado; se for alérgico a algo, identifique o perigo antes de por na boca, será horrível ter um choque anafilático no meio da farra; não cheire as coisas antes de comer; não pegue algo do bufê, olhe com cara de nojo e coloque de volta, se não gostou da gororoba, deixe no prato e depois jogue discretamente em algum lixo. Outra coisa, não pegue comida do prato dos outros, a menos que seja alguém muito íntimo, mas mesmo assim é uma ação duvidosa e desnecessária. 

  1. Lembrancinhas 

Nada de levar como recordação vasinhos de flores, bexigas, garrafas de bebidas, comida, copos, candelabros ou peças de roupas dos outros. Se derem um prêmio, ganhar algo no sorteio, entregarem uma lembrança para você levar, tudo bem, senão saia de mãos abanando pois passar por jeca ou miserável é a pior coisa que pode acontecer a um profissional. 

  1. Regra de ouro 

Última regra. Se nada disso funcionar, pelo menos lembre do 11º Mandamento: não serás pego em flagrante. 

Boas festas de final de ano e não faça nada que eu não faria.


quarta-feira, 7 de dezembro de 2011

Dados sobre o turismo brasileiro

Em novembro, dei uma entrevista para a jornalista Graziela Guerra sobre a pesquisa que o Ministério do Turismo realizou sobre como os estrangeiros encaram nosso país. Bruno Omori, presidente da ABIH e Marcelo Traldi, professor de gastronomia (e meu amigo) do Centro Universitário Senac também deram competentes palpites a respeito. A matéria já foi ao ar mas você pode conferir no acessando o link abaixo:

http://vimeo.com/32327483

sábado, 26 de novembro de 2011

Subindo a serra; literalmente.

Na última sexta-feira, dei uma palestra na Univali (Universidade do Vale do Itajaí), em Balneário Camboriú, SC, sobre Turismo, cultura e gastronomia. Foi a Semana dos cursos de Turismo e Hotelaria e de Gastronomia. Pessoal descolado, apesar de ser sexta à noite muita gente desistiu do bar para ouvir a conversa, espero que tenham curtido. Como eu me sinto em casa na Univali, pois lá dei aulas no mestrado de Turismo por uns três anos, revi alguns colegas professores(as), curti a cidade e pude colocar algumas idéias para a moçada sobre a cultura e suas relações com turismo, hospitalidade, gastronomia, entretenimento, essas coisas. 


No início da tarde de sábado decolei de volta para Sampa. É um voo de 50 minutos, mas dá para ver o litoral norte de Santa Catarina (acima, decolando de Navegantes, SC), todo o litoral do Paraná e a costa sul de São Paulo.


É gostoso pairar entre a imensidão do céu ...


... e do oceano, enquanto a nave lentamente...


... se afasta das terras e alça voo rumo ao ar rarefeito e ...


... aos efeitos celestes de luzes, cores e sombras que formam a atmosfera deste planeta exuberante.


De repente a natureza cede lugar à cultura em seu estado mais bruto e explícito.


Por entre as brumas, a cidade domina a paisagem preenchendo cada mínimo espaço com suas formas geométricas delineadas e construídas com ciência e arte humanas.


E a nava se precipita rumo ao solo. No caso do aeroporto de Congonhas, o efeito "porta-aviões" é uma emoção a mais, uma experiência bastante exclusiva.


Afinal, onde dá para voar num jato (era um Airbus 320 da TAM), com quase duzentas pessoas, roçando o topo dos prédios?


Essa foto foi tirada a uns sete segundos antes da pista do aeroporto.



E essa, a uns 3 segundos do pouso. Aí é a avenida Washington Luís, que corta uma das cabeceiras da pista. Quando a aterrisagem é pela cabeceira do Jabaquara, o efeito não é tão impressionante assim, pois há poucos prédios e o terreno vai perdendo altura até chegar às rodovias Anchieta e Imigrantes. O maior barato mesmo é a chegada paralela ao espigão da Paulista, mergulhando por entre os prédios altos e belos da zona Sul paulistana. Em menos de uma hora a paisagem muda completamente e uma rápida viagem ganha contornos de aventura se a gente olhar para fora da janela.


Quanto mais curtição numa viagem melhor. Do mar à serra numa tarde de luz.

domingo, 20 de novembro de 2011

Piadas corporativas: o mundo da política e da ciência

Essas são rápidas, ferinas e inteligentes. Recebi pela internet, de vários colaboradores:

Na Câmara, ainda no Rio, quando seu presidente Ranieri Mazzini deu a
palavra a Carlos Lacerda, representante do Distrito Federal, o
deputado Bocaiuva Cunha foi rápido e gritou ao microfone, sob os risos
do plenário:
- Lá vem o purgante !
Lacerda, num piscar de olhos, respondeu:
- Os senhores acabaram de ouvir o efeito !


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Certa vez, Einstein recebeu uma carta da miss New Orleans onde dizia a ele:
" Prof. Einstein, gostaria de ter um filho com o senhor...
A minha justificativa se baseia no fato de que eu, como modelo de
beleza, teria um filho com o senhor e, certamente, o garoto teria a
minha beleza e a sua inteligência".

Einstein respondeu:
" Querida miss New Orleans, o meu receio é que o nosso filho tenha a
sua inteligência e a minha beleza".


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Quando Churchill fez 80 anos um repórter de menos de 30 foi
fotografá-lo e disse:
- Sir Winston, espero fotografá-lo novamente nos seus 90 anos...

Resposta de Churchill:
- Por que não? Você me parece bastante saudável...


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Telegramas trocados entre o dramaturgo Bernard Shaw e Churchill, seu
desafeto.

Convite de Bernard Shaw para Churchill:
"Tenho o prazer e a honra de convidar digno primeiro-ministro para
primeira apresentação de minha peça Pigmaleão. Venha e traga um amigo,
se tiver."
                                                             Bernard Shaw.

Resposta de Churchill:
"Agradeço ilustre escritor honroso convite... Infelizmente não poderei
comparecer primeira apresentação. Irei à segunda, se
houver."
                                                          Winston Churchill.


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O General Montgomery estava sendo homenageado, pois venceu Rommel na
batalha da África, na 2ª Guerra Mundial.
Discurso do General Montgomery:
' Não fumo, não bebo, não prevarico e sou herói '.

Churchill ouviu o discurso e retrucou:
' Eu fumo, bebo, prevarico e sou chefe dele.'


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Bate-boca no Parlamento inglês .

Aconteceu num dos discursos de Churchill em que estava uma deputada
oposicionista, Lady Astor, do tipo Heloisa Helena do PSOL,   que pediu
um aparte . Todos sabiam que Churchill não
gostava que interrompessem os seus discursos. Mas, concedeu a palavra
à deputada.

E ela disse em alto e bom tom:
- Sr. Ministro , se Vossa Excelência fosse o meu marido, eu colocava
veneno em seu chá!

Churchill, lentamente, tirou os óculos, seu olhar astuto percorreu
toda a platéia e, naquele silêncio em que todos aguardavam, lascou:
- Nancy, se eu fosse o seu marido, eu tomaria esse chá com prazer!

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segunda-feira, 14 de novembro de 2011

Um churrasco de cinquentões refestelados

Tenho um grupo de amigos antigos (jurássicos mesmo, inclusive eu), pois nos conhecemos desde os 16 ou 17 anos de idade, antes da gente entrar na universidade. Isso significa que somos amigos a uns 35 anos, pelo menos, pois todo mundo está com 51 ou 52 anos de idade. De uns anos para cá a gente se reúne, a cada semestre, em média, na casa de campo do Marcos, que possui um espaço confortável para a gente relaxar e curtir. Nesse post resolvemos mostrar para os mais jovens como é um churrasco típico da nossa meia idade.


Cada geração tem sua própria perturbação. A nossa foi a guerra fria, a ditadura militar (1964-1985), o início da informática de massa, o surgimento da AIDS, o colapso do socialismo, a fragmentação pós-industrial e os trabalhos esquizóides aos quais todos nos submetemos. Nos conhecemos nas comunidades de jovens da Igreja Católica e ali solidificamos a amizade. Depois cursamos a universidade, fomos batalhar, namorar, alguns constituíram famílias e todo mundo fez e faz sua história, mas sempre mantivemos contato. Eventualmente precisamos relaxar em um ambiente propício e junto às nossas raízes arcaicas.


Marcos e Cláudia são o casal que nos recebe, sempre de ótimo humor e com uma hospitalidade (e paciência) exemplares. A casa de campo deles fica em algum lugar entre Sorocaba e Itu, interior de São Paulo mas perto de Campinas e da capital onde a maioria reside


O Luiz, em geral, leva as carnes e outros iguarias dietéticas e saudáveis. Junto com o Marcos eles preparam o churrasco propriamente dito enquanto a gente bebe, dá palpite, discute, fala bobagens e frases de efeito moral (ou imoral, ou amoral ou...).


Sempre há crianças que não são nossos filhos (são sobrinhos, primos...), pois esses estão com 16 ou 17 anos (para mais) e não suportam ficar direto junto da gente, pois pode ser que a gente não se comporte muito adequadamente. 


Os pais do casal sempre estão presentes e formam uma confraria de respeitabilidade que nos segura nos momentos de desespero e mergulho nas delícias de Baco.


É uma refeição compartilhada com gosto e bom humor ...


... regada a boa cerveja, porcaritos, carnes e até alguns vegetais (poucos, que a gente não é tão degenerado assim).  Dessa vez o Geraldo não foi, mas ele é nosso enólogo militante e sempre leva garrafas escolhidas a dedo que a gente bebe antes ou depois das cervejas.


As novas gerações que interagem conosco são um frescor para nossos paradigmas espaço-temporais.


E temos nós, o grupo. Aqui estão Marcos, Laderlei, Luiz e eu. Faltaram uns três dos membros titulares da corja (o Douglas aparece logo adiante) que sempre comparece nos eventos.


As conversas vão de política a sexo, de religião a drogas, de sociedade e cultura (de todo tipo), de alfa a ômega, de abobrinha a hermenêutica.


A gente se preocupa tanto com o conteúdo de nossas falas... Aqui Celi e Laderlei se refestelam em sua cumplicidade conjugal.


Temos nossas frescuras, suscetibilidades, neuroses e idiossincrasias. Essa cerveja, por exemplo (Medieval, brasileira), deve ter a tampa esquentada para derreter seu lacre que se liquefaz, como sangue vertido das chamas.


Luiz, Douglas e Marcelo comentam suas angústias e ansiedades.



A Solange é a auxiliar da casa e sempre faz algo especial. Dessa vez foi essa farofa úmida, densa e muito saborosa. Uma vez ela fez paella, um ensaio gastronômico épico.


E teve UMA saladinha, que é para não dizer que comemos o verde da esperança.


Assim passamos o domingo em meio aos casos, as querelas, os discursos jogados de forma franca e despreocupada, típicos dos companheiros que se conhecem dos tempos em que a amizade era uma forma de prazer gratuito e descompromissado. Não falamos muito do passado, não somos saudosistas; não pensamos no futuro, pois ele a Deus pertence. Vivemos o quinhão de nossos dias sobre a Terra curtindo os momentos, pois sabemos que 50 anos passam rápido como os sonhos (dos sonos ou das vigílias) curtidos ao longo de nossas vidas.


O mais importante não são as bebidas, mas os bebedores.


A corja que atingiu os cinquenta anos de idade está de bem com a vida (apesar dos problemas) e pensa que os primeiros dos últimos anos a seguir serão simplesmente os melhores. Até o último gole; até a última risada.

terça-feira, 8 de novembro de 2011

EACH - USP e a criatividade

As tardes quentes da primavera encontram a USP-Leste envolta em discussões políticas, atividades de final de ano, otimismo e discussões sobre criatividade.


Pela caixa d' água já se percebe laivos de criatividade no campus que completa sete anos de existência.


O otimismo vem da preparação para competições esportivas denominadas caipirusp, uma atividade que exige treinamento, vontade e ...


... muita raça e disposição.

Os corredores estão cheios de gente curtindo o quase final do ano, como essa turma de lazer e turismo.


Hoje à tarde, uma palestra especial. A Secretaria da Economia Criativa do Ministério da Cultura, Profa. Dra. Claudia Leitão, deu uma palestra sobre o assunto, convidada pelo nosso Prof. Dr. Pablo Ortellado, que tem um capítulo no texto base da secretaria. Se quiser ler o documento na íntegra acesse o link:

http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2011/09/Plano-da-Secretaria-da-Economia-Criativa.pdf 

...e saiba o que é essa economia que envolve imaginação, criatividade e inovação.

Se quiser saber o que a UNCTAD (United Nations Conference on Trade and Development) pensa sobre o assunto, acesse:

http://www.unctad.org/Templates/StartPage.asp?intItemID=4577&lang=1

... e veja as implicações e conceitos sobre essa área que envolve artes, cultura, tecnologia e negócios.


Esses games, por exemplo, que nossos alunos pilotam na cantina da EACH, tem tudo a ver com economia criativa ...


... assim como lazer e esportes, que juntamente com turismo, são os chamados Setores Criativos Relacionados.  Os Setores Criativos Nucleares, segundo o Ministério da Cultura, são: Patrimônio Natural e Cultural; Espetáculos e Celebrações; Artes Visuais e Artesanato; Livros e Periódicos; Design e Serviços Criativos; e Audiovisual e Mídias Interativas.



Finalmente, enquanto a lua quase cheia reluzia tênue no crespúsculo, os últimos raios de sol lambiam languidamente o símbolo fálico eachiano, tendo como fundo sonoro gutural as batidas rítmicas da tradicional festa discente de terça-feira, que antecede as aulas da noite. Haja criação.