quarta-feira, 10 de agosto de 2011

Breve história do ministério do turismo (2003-2011)

Ter um ministério só de turismo no Brasil era um sonho encantado do trade, da academia, de algumas ONGs e de muitos profissionais da área. Até que um dia (2003), o sonho se realizou e o ministério finalmente desencantou. 


Durante as primeiras gestões foi tudo muito bem. Surgiram novos projetos, organizaram pesquisas e métodos, elaboraram planos estratégicos e táticos. Até lançaram uma nova marca turística para o país. Show de bola.


Então, em 2006, os céus de brigadeiro revelaram que o espaço aéreo brasileiro, apesar de ter uma amplitude continental, era administrado por gente de uma estreiteza mental capaz de tentar fazer dois aviões passarem pelo mesmo lugar ao mesmo tempo. O tumulto nos aeroportos afetou o turismo e o governo. Durante a crise aérea que se seguiu ao desastre (GOL 1907) a ministra do turismo irritou passageiros, tripulações e funcionários ao declarar que em caso de atrasos nos aeroportos deviam "relaxar e gozar".


Esse tipo de relaxo deixou mais 199 mortos (TAM 2054), em 2007, e a situação azedou de vez. A ministra não se elegeu prefeita...


... e seu chefe de gabinete (Luiz Barreto) assumiu o cargo com um estilo clean, objetivo e competente. Parecia que estava tudo bem.


Mas o perigo residia em um de seus muitos programas, justamente ligado a emendas parlamentares e à formação profissional de milhares de pessoas, supostamente para capacitá-las face aos megaeventos que chegavam ao país, a década dos grandes eventos: Copa e Olimpíadas, sem contar centenas de eventos menores que chegariam na esteira do sucesso. Vários desses programas pareciam "micados", a Polícia Federal achou que tinha muita treta na história, prendeu boa parte do ministério atual ...


.. e o ex-ministro vai ter que se explicar.


A coisa piorou ultimamente porque, no novo governo Dilma, gente de fora e de longe, como o Sarney, fez que fez até indicar o novo ministro do turismo ...


... um senhor desconhecido no setor que ficou famoso, logo de cara, por gastar indevidamente verba pública em ... motéis. Isso com 80 anos de idade! Dá-lhe Pfizer, senhor Pedro Novais...


Tudo isso numa época em que o país delira e vibra com novos sonhos: sediar uma Copa do Mundo, depois de 64 anos. E logo depois, pela primeira vez - nunca antes na história deste país... - sediar as Olimpíadas.


Mas o ministério do turismo ficou totalmente de fora dos grandes eventos, o novo ministro não caiu bem na mídia, no trade, em todo o lugar (num evento em Foz do Iguaçu ele repetia que estava em Nova Iguaçu...) e sua equipe ficou toda truncada por (des)interesses políticos. A presidenta não o recebia de jeito nenhum e as suas declarações geralmente eram motivo de chacota, um desastre de ministro. Um constrangimento para o setor de turismo no Brasil. Agora, em plena crise, aguarda-se o futuro do nobre e glorioso ministério do turismo brasileiro, um sonho  que virou insônia devido aos últimos problemas. 



E a Copa do mundo? A Copa do Mundo é nossa, com brasileiro, não há quem possa...


domingo, 7 de agosto de 2011

Brazilian sunset - Crepúsculo no interior...

Sábado à tarde estava em um curso no mosteiro de Itaici (Indaiatuba, interior de SP) e o crepúsculo hibernal estava com o ego inflado.


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Não dá para falar muito, só contemplar e deixar a mente divagar.


Natureza e cultura.


Imagine a noite estrelada que se seguiu ao encerramento do dia.


Esse crepúsculo tem umas semanas mas ainda não tinha postado. Rumo norte do Brasil, indo para as férias.

sexta-feira, 5 de agosto de 2011

Viagens, pessoas e passeios

Viajar implica em se perder longe dos roteiros pré-determinados por especialistas e descobrir novos cenários e sensações. Para mim um roteiro de viagem é pessoal e intransferível. Cada um faz seu roteiro, sua rota, flana por onde quer e como quer. 


Esse é o rio Tâmisa, de Londres, visto longe das hordas turísticas que pululam no verão ao redor das atrações principais. Não gosto muito. Lembro de uma viagem feita a muito empo, quando um amigo e sua mulher faziam doutorado em Londres, em pleno inverno. A gente se levantava pelas onze horas, tomava um café da manhã faustoso e depois saía pelos museus até às quatro da tarde, quando escurecia. Depois andávamos um pouco pelo frio e nos enfiávamos em um pub para enfileirar pints de Guiness goela abaixo. Que pacote turístico proporciona isso? Só uma viagem individual ou muito bem acompanhado.



A delícia e falta de compromisso de se empoleirar nas colunas decoradas de uma ponte (rio Tâmisa, again) e se deixar perder pelas águas e cenários, sem tempo, sem pressa, sem destino.


Ou então sentar num bar ou restaurante, ao ar livre, e deixar viver com lentidão sob o sol (ou a chuva, ou o vento, ou a neve). Beira do Tãmisa, again.



E se precisar fazer algo turístico, que se faça sem remorsos ou comedimentos. Tirar foto da sobremesa é kitsch mas me faz lembrar o sabor abissal dessa torta devorada num restaurante londrino.


As pessoas adoram novidades tecnológicas. Essa imagem do teatro, no centro da foto, é uma projeção numa tela eletrônica ao ar livre e em pleno dia ensolarado. Olha a definição da tela, mesmo vista numa foto. É numa praça em Madrid, ao lado da Gran Via.


Há que se ter tempo para conviver em família ou com amigos. Aí estou em Valladolid, no apartamento da Tatiana e do Alexandre Panosso, onde ela fez um almoço caseiro delicioso.


Finalmente, uma viagem significa colecionar memórias, sensações e experiências. Furtei a intimidade desse grupo de jovens quando faziam gracinhas para tirar a foto em um jardim belo e antigo do Monastério de Nuestra Señora de Espina, interior da Espanha.

Viajar é traçar trilhas pessoais que levem a um melhor auto-conhecimento e a um poço de experiências que nos transformem em alguém melhor e mais de bem com a vida.

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Cultura alternativa em Amsterdam: maconha e misticismo

Nos últimos meses ocorre um grande debate no Brasil sobre a descriminalização da maconha, com marchas nas ruas e debate pela mídia; foi lançado o filme Quebrando tabus, (direção de Fernando Andrade e participação de Fernando Henrique Cardoso); e até o milionário George Soros doou um milhão de dólares, em 2010, para a campanha de legalização na Califórnia (EUA). 


Por tudo isso, aproveitei minha estada em Amsterdam no final de junho para, de câmera em punho, documentar a cultura alternativa da maconha na cidade holandesa símbolo da liberalidade, da riqueza colonial e da cultura aberta a todas as suas manifestações. Na maioria dos lugares as pessoas me deixaram fotografar à vontade, em outros lugares fui mais discreto e em pouquíssimos estabelecimentos fui proibido de fotografar, mas pude andar à vontade pelos pequenos segredos não tão bem guardados de Amsterdam. Aqui mostro (quase) tudo e deixo o mapa virtual dos sites, no final e cada comentário, para quem quiser se aprofundar nessa viagem.


A maconha e o haxixe, na Holanda, não são legalizados e sim tolerados. São vendidos em lugares específicos denominados coffee shops. Além desses estabelecimentos onde se vende e se fuma maconha (mas não são permitidas bebidas alcólicas), há os Head Shops e Smart Shops.


Head shops vendem energéticos e produtos pretensamente estimulantes, afrodisíacos, vitamínicos e fortalecedores do corpo ou da mente, mas que não dão nenhum barato, ou seja, não possuem substancias psicoativas. Até guaraná e balas de hortelã se encaixam nessa categoria. 


As vitrinas e prateleiras são decoradas com motivos culturais que lembram mitologia oriental e antiga, personagens jamaicanos como Bob Marley, ...


... produtos que garantem desempenho sexual mais aprimorado ou outros produtos do tipo.


Nas smart shops, vende-se sementes de maconha e instrumentos para o cultivo cuidadoso e científico da planta.


As melhores sementes são caras (o preço está em euros e se refere a um pacotinho com meia dúzia de sementes).


Todos os preços são publicados e fixados. Essa tabela refere-se às sementes femininas, consideradas as melhores para o plantio.


Essa van estava na rua e pertence a uma empresa que vende todo tipo de produtos para se fumar a droga (cachimbos, seda, vaporizadores, artefatos primitivos orientais, narguilés etc.) Acesse o site indicado na van para conhecer a parafernália que envolve o ato de fumar:   http://www.spliff.nl/


Essa loja é uma das mais bonitas que vi e o dono tranquilamente me deixou fotografar ...


... o teto delirante ...


... e uma parte dos produtos à venda. Repito, nesses lugares não se vende maconha, apenas todo tipo de substâncias que não são psicoativas.


Essa loja é a Chimera (Damstraat, 7), um labirinto de fantasias celtas e orientais que enchem os olhos ...


... e excitam o imaginário individual e coletivo. O site é:  http://webshop.fantasyshopchimera.com/


Até no mercado das flores, na rua, vendem kits para ajudar no plantio (não são sementes).


Nos coffees shops estão armazenadas em prateleiras devidamente identificadas os diversos tipos de maconha (cannabis sativa ou indica) e haxixe. A venda é limitada e pode-se fumar no local (mas não beber álcool, só sucos, refrigerantes, chás).


Essa é a entrada de uma das centenas de lojas que se espalham por Amsterdam e pela Holanda e que vendem maconha. Apesar do liberalidade, a proporção de pessoas que fumam é muito menor do que em países onde impera a proibição (Estados Unidos e Inglaterra, por exemplo). 


Essa é a maior rede empresarial que comercializa maconha e derivados na Holanda, a Bulldog, também ...


... o primeiro coffee shop criado no país, em 1975. Eles possuem umas sete lojas em Amsterdam que vendem erva, sementes, todo tipo de souvenirs; possuem hotéis e um marketing direto e muito eficiente. Veja o site da empresa:  http://www.thebulldog.com/



Essas fotos foram tiradas dentro do Bulldog. Esse space cake, é um donut recheado com maconha. A erva pode ser absorvida na forma de fumaça, através dos pulmões, ou através da mucosa intestinal por meio de um bolo ou torta, como o space cake. Várias pessoas não recomendam por ser um meio mais difícil de controlar o volume de THC (princípio ativo da maconha) ingerido. Aliás, é bom lembrar que o THC é uma droga e várias pessoas não se sentem bem com ela. Como qualquer droga psicoativa possui seus perigos e idiossincrasias.


Bulldog vende dezenas de acessórios, lembranças, artigos de decoração ...


... e sementes.


Há um centro de informação especializado em Amsterdam, é o Cannabis College, uma ONG localizada em um amplo prédio (Oudezijds Achterburgwal, 124 - esse é  o endereço) com uma equipe que responde tudo o que você queria saber sobre a maconha mas tinha vergonha de perguntar.


No subsolo há algumas plantas de maconha, vivas e formosas, para você olhar através de vidros isolantes. Eis acima um exemplar da polêmica erva.


Ali também há mostras de alimentos, fibras, remédios, tecidos, tudo feito da planta.


A entrada é livre e se você levar a erva há vaporizadores para fumar sem ter contato com a fumaça. Fiz uma entrevista com os funcionários e uma delas (portuguesa) conversou bastante comigo pelo fato de eu ser professor e pesquisador da área cultural.


Há muitas aplicações medicinais, inclusive uma farta bibliografia médica sobre seus usos e feitos curadores.


Ali pertinho está o Hash Marihuana & Hemp Museum, o museu da maconha (Oudezijds Achterburgwal, 148). Toda a história da planta, seus cultivo, sua proibição no ocidente, seus efeitos, sua economia e cultura estão demonstrados em amplas vitrines e painéis, telas e pinturas antigas ou modernas. A entrada do museu é paga (oito euros) e há uma livraria especializada com muitos títulos, também à venda.

O site é: http://hashmuseum.com/



Drogas, misticismo, sexo, cultura, antiguidades, artesanato, tecnologia, livros, gastronomia, saúde, museus, arte, tudo isso - e muito mais - pode ser encontrado pelas ruas de uma das mais excitantes cidades da Europa. A discussão sobre a liberalização das drogas leves acontece em meio ao contexto de violência e terror proporcionado pelo tráfico internacional de drogas. O último livro de Frederick Forsyth, um autor inglês conservador que escreve thrillers instigantes, intitula-se Cobra e é sobre o tráfico de cocaína no mundo. A maconha, por ser considerada uma droga mais leve, recentemente, no filme brasileiro Quebrando tabus, foi analisada por pessoas como Fernando Henrique Cardoso, Bill Clinton, Dráuzio Varela, Paulo Coelho e outros especialistas. A experiência de Amsterdam não pode ser ignorada nesse debate, portanto fica aqui uma pequena contribuição a esse debate, lembrando que, para mim, as melhores drogas são os bons vinhos e as mais perigosas, porque extremamente libertárias, são os livros, filmes, músicas e peças de teatro, ou seja, a imensa e inesgotável cultura da mente humana.