quinta-feira, 18 de outubro de 2007

Lugares estranhos do Brasil

Existe, nos EUA, um livro sobre os lugares esquisitos do país, chama-se Eccentric America, de Jan Friedman. Penso que dá para fazer um sobre o Brasil. Vi dois lugares estranhos nos últimos dias. Um deles foi em Presidente Prudente (extremo oeste do estado de São Paulo, a uns 550 km da capital). Fui dar uma palestra na Unoeste, uma instituição criada e mantida pelo Agripino de Oliveira Lima Filho, prefeito cassado da cidade e ex-deputado federal. Visitei o hospital-escola da Unoeste (imenso) e o campus principal, localizado em uma fazenda com árvores, caminhos de terra e barracões, além dos prédios amplos e com terraços de onde se avistam os campos e a noite estrelada. Tudo muito bonito.
Depois fui levado para ver algo inédito. O Agripino reside em uma outra fazenda, à margem da rodovia Washington Luís, onde construiu um tipo de parque temático religioso imenso chamado Morada de Deus. Ali estão as 13 estações da via sacra de Jesus Cristo, uma pequena capela e uma igreja. Essa igreja possui uma estrutura de concreto e é coberta por extensos vitrais. Parece uma coroa alianígena. O templo é cercado por pisos de granito e por estacionamentos imensos, asfaltados. O lugar é bem mantido, limpo e naquele dia só havia dois visitantes: o professor que me levou e eu. Dizem que ele é católico fervoroso e fez isso para cumprir uma promessa. Aliás o campus principal possui uma capela de porte médio, com pinturas, pisos decorados e um nível de conforto acima da média. se forem a Presidente Prudente visitem o local. É, no mínimo, insólito.
Outro lugar estranho é Iperó, pertinho de Sorocaba, também interior de São Paulo. Lá tem o Centro de Pesquisas da Marinha brasileira (Aramar) que eu não visitei por que é proibido. Desde 1982, há burocratas, cientistas e investimento maciço para desenvolver propulsor nuclear para um submarino brasileiro. Pelo tempo e dinheiro investidos já dava para ter desenvolvido o propulsor do destróier espacial do Darth Wader. Mas a Marinha não é o mais estranho em Iperó.
Ali está a Floresta Nacional de Ipanema e a Real Fábrica de Ferro Ipanema, a primeira siderurgia do Brasil, fundada no século 18. O lugar tem casas, fornos, barracões em pedra, represas e uma vegetação exuberante. A área é controlada pelo Ibama e está semi-abandonada. Há alguns projetos turísticos para aproveitar o local, mas a burocracia federal empaca todas as propostas. Em meio à mata e às belíssimas construções seculares, o governo da ditadura militar (1964-1985) construiu dois caixotões de concreto - horrorosos - para servirem de área administrativa e hospedagem.
Há umas trilhas pelo meio do mato que podem ser percorridas. É necessário pagar uma pequena taxa na entrada e há um restaurante (ruim) lá dentro. O lugar é destaque no site www.ufoecoturismo.com. Aliás, o que é ufoecoturismo? Delírios esquizóides, certamente.
O cenário como um todo é estranho, pelas ruínas (algumas restauradas) e pela disposição dos edifícios ao longo dos amplos terrenos. Ao fundo vê-se uma pequena serra com um cruzeiro (aquelas cruzes no alto da montanha). O lugar seria ideal para um centro cultural, spa ou escola tecnológica. Quem sabe até como área de pouso das naves da República?

Um comentário:

Gabriel disse...

Áchei ótima a idéia! Podemos trabalhar com o desenvolvimento de algo similar.

Falo sério!

Abs

Gabriel Berganton