terça-feira, 9 de dezembro de 2008

Para ler nas férias


Já fez seu programa de leituras de férias? Sim, porque a não ser que você seja bilionário, um gênio ou um outsider empedernido tem que ler alguma coisa para (tentar) entender as mudanças globais e a sua vida que, certamente, também não está tão direitinha assim. A não ser que você seja ... ou a santidade em pessoa na Terra. Para saber sobre os últimos 50 anos de cultura neste país e se divertir, uma boa é o livrão (foto acima) que acabou de sair com cartuns, reportagens históricas, fotos, entrevistas, fofocas e análises que a Folha Ilustrada fez desde 1958.
Pós-tudo - 50 anos de cultura na Ilustrada, de Marcos Augusto Gonçalves. São Paulo: Publifolha, 2008.
Em termos de romance uma sugestão é Crepúsculo, de Stephanie Meyer, que logo estará no cinema. É sobre vampiros e amores devassos, aquela coisa que a Anne Rice fazia tão bem com Lestat e seus amiguinhos vampiros, antes de se converter ao catolicismo e só escrever sobre a infância de Jesus onde, todos sabemos, não tinha lugar para vampiros.
Se quiser saber sobre essa zona global que capitalismo depravado nos proporcionou, uma boa é O novo paradigma para os mercados financeiros, de George Soros, um dos descolados nos investimentos internacionais e que previu a big shit que assola os mercados. Lançado em fevereiro de 2008, ele afirma que a crise econômica global é mais profunda do que se imagina e isso significa o fim do fundamentalismo do mercado. Boa notícia, mas tampouco é o fim dos Estados Unidos como potência, apesar de dar um toque de menos, menos, na arrogância dos gringos.
Uma análise política e histórica da crise que começou na América é The limits of power - The end of American exceptionalism, de Andrew J. Bacevich (New York: Metropolitan Books, 2008). O autor foi do exército norte-americano (segundo Peter Drucker uma das boas escolas do mundo) e é professor de história e relações internacionais na Boston University. O livro foi indicado por um amigo americano (na verdade de Macao, viveu na Europa e no Brasil e curte seu outono dourado em uma dacha capitalista ianque) que sobreviveu à derrocada dos mercados graças às suas influências e contatos nos porões do Império.
O que ler nesse cipoal de lançamentos? Um blog legal e estiloso para se informar sobre literatura é o da Andrea Kogan: http://www.paginasdarelva.blogspot.com/ .
Andrea é professora de inglês e literatura, conhece música, viagens, turismo, gastronomia e é antenada na teia global. Boas leituras.

domingo, 7 de dezembro de 2008

Dia Internacional dos Direitos Animais

No domingo, (07/12), foi realizada na avenida Paulista (São Paulo) uma manifestação antecipando o 10 de dezembro, Dia Internacional dos Direitos Animais. É uma conscientização sobre a problemática envolvendo direitos dos animais em geral. Más condições em viveiros, entretenimento cruel (touradas, rodeios, rinhas, circos), experiência científicas dolorosas e o respeito pela vida são temas que exigem discussão e reflexão.


A natureza e a vida selvagem nos remetem a imagens puras e belas, mas acabam em um romantismo estéril. A realidade mostra o meio ambiente sendo destruído de forma gananciosa e insustentável e isso inclui o trato que fazemos com os animais, seja na natureza ou em nosso convívio urbano e doméstico.


Várias organizações da sociedade civil preocupam-se em informar e orientar as pessoas sobre os direitos em geral. Domingo foi o dia de discutir os direitos animais.

Vida depende de informação, de ética e de militância organizada.

Uma antiga jaula de circo com outros tipos de animais: homo sapiens.

Ninguém - ou nada - é para ficar atrás das grades. As prisões, asilos e hospícios são as manchas ruins da história da civilização.

Por isso que gosto dos circos de acrobacias chineses ou do Cirque du Soleil. A arte é puramente humana, racional, estética. E consensual.


Vida.

Um alô aos humanos.
Uma homenagem à Profa. Valéria Magalhães (EACH-USP), grande incentivadora da causa.

sábado, 6 de dezembro de 2008

Centro Cultural São Paulo - curvas, luzes e cores

Passear nos jardins suspensos sobre o teto do edifício (acima) ou deixar-se enlevar pela atmosfera tranquila da cultura prazeirosa (abaixo).



O Centro Cultural São Paulo é um lugar descolado com biblioteca, cinemas, palcos, galerias de arte, jardins e espaços belos e abertos em ângulos e planos arquitetônicos ousados.
Acima o letreiro do Centro, no alto do complexo de edifícios. Lá embaixo (não dá para ver) passa a Av. 23 de Maio.
O Centro, foi inaugurado em maiode 1982, obra dos arquitetos Luiz Telles e Eurico Prado Lopes. Foi construído no espaço entre a 23 de Maio e a rua Vergueiro, fruto da desapropriação para a construção da linha Norte-Sul do Metrô, na década de 1970. Na construção foram uilizados vidro, aço, concreto, acrílico, tijolo e tecido.

Amplos espaços inundados pela luz natural que ganha simetrias através dos reflexos recortados do edifício.

Sombras e luzes...


... formas e contrastes in(formais).

Não há melhor lugar para relaxar ou escrever, envolvidos pelas vertentes da cultura, das artes e do ninho arquitetônico.

Vertentes com ângulos, curvas e espaços...

... que se conectam e sobrepõe seus usos e abusos.

Instalações com estéticas cripto-pragmáticas.

Hans-Magnus Enzensberger afirma que o espaço é um luxo contemporâneo. Assim como a exclusividade, a atenção, o silêncio. O tempo.

Tempo e espaço para ver, no meio da Av. 23 de Maio, uma instalação artística que interrompe o fluxo pragmático do trânsito.

Olhar e sentir o espaço. Descobrir o que há por trás das rampas...

Respirar cultura. Transmutar pela arte. Ligar as profundezas à vida verde e luminosa.


Vá ver e curtir pessoalmente: http://www.centrocultural.sp.gov.br/


Turismo ECA USP: 35 anos


O curso da Escola de Comunicações e Artes da USP foi o primeiro curso de turismo em universidade pública no país (o primeiro de todos foi a Faculdade de Turismo do Morumbi - 1971, hoje Anhembi-Morumbi, em São Paulo). Criado em 1972, o curso começou a funcionar em 1973 e formou uma parte significativa dos pesquisadores da área no Brasil. Na sexta-feira, 5 de dezembro, houve uma comemoração íntima na ECA.



O primeiro evento acadêmico de turismo, em âmbito nacional, foi o I Ciclo Nacional Universitário de Turismo e Comunicações, promovido pela ECA em 1973. Em 1975, a ECA sediou o primeiro Congresso Nacional de Turismo (Contur) e em setembro de 1980, realizou o I Fórum Nacional de Turismo e Lazer.


O corpo docente da EACH (Escola de Artes, Ciencias e Humanidades da USP, curso de lazer e turismo) é oriundo, em boa parte, da ECA. Aliás, quem fez algum tipo de pós-graduação no Brasil, na área de Turismo, ou fez ECA ou provavelmente teve aulas com professores oriundos da velha escola. Eu mesmo, sou filho da PUC-Campinas e da Unicamp, mas minha livre docência foi na ECA. Acima os profs. JB (ECA), Ricardo Uvinha (EACH, mas doutor pela ECA) Gleice Guerra (ex-ECA), Mariana Aldrigui (EACH e ex-ECA) e Marcelo Villela (EACH e doutor pela ECA).



A super sorridentes profas. Célia Dias e Débora Braga, coordenadora do curso de Turismo da ECA.



Ricardo Uvinha, Dóris Rushmann (ex-aluna da ECA e implementadora do mestrado da Univali -SC, consultora em planejamento e gestão de turismo) e a primeira graduada da ECA: Mirian Rejowski. Ela também é foi a primeira turismóloga livre docente do país, aposentada da USP, trabalhou no mestrado da Unversidade de Caxias do Sul - RS e agora está na Universidade Anhembi-Morumbi. Mirian também implantou, na USP, a revista Turismo em Análise, hoje em edição virtual.


Profs. Kani e Reinaldo, ambos da ECA.


Profas. Gleice Guerra, Mariana Aldrigui e Regina Almeida (Geografia-USP)


Alunos e professores comemorando os 35 anos do curso, com a placa onde estão os nomes de todos alunos e alunas matriculados atualmente o curso. Estiveram ausentes na comemoração alguns professores veteranos, hoje aposentados, mas que são ícones da primeira geração de docentes: Olga Tulik, Sarah Bacal e Mário Beni.

sexta-feira, 5 de dezembro de 2008

EACH - primeiras graduações

A Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP termina seu primeiro ciclo. Inaugurada no início de 2005, com dez cursos de graduação e 1.200 alunos, ela chega no final de 2008 com 4.800 alunos e as primeiras turmas de graduandos. Então é o momento de defesa dos famigerados TCCs (Trabalhos de conclusão de curso). Chiliques, neuroses, caras e bocas fazem parte das defesas, tanto por parte dos alunos/as como dos docentes. Roupas novas, combinações exóticas de cores e modelos, penteados estimulantes e um certo nervosismo teatral montam o cenário das defesas.

A turma que assistiu uma das defesas de TCC do curso de Lazer e Turismo. Priminhas, irmãos e familiares em geral mesclam-se ao ambiente acadêmica no primeiro contato com uma banca. Os que seguirem a carreira acadêmica terão muitos desses momentos pela frente.

Aí está Manuela, uma das alunas que já encerrou o curso ao ser aprovada na defesa do trabalho.

Rafael foi outro postulante entronizado no primeiro nível da academia.

Felizes e contentes a torcida perambula pelos corredores do Titanic (o prédio principal da EACH).


As professoras Jane Marque se Mariana, atentas e meticulosas às defesas. Mariana foi a Torquemada de saias do espetáculo.

Mariana, Geraldo (um dos meus orientandos), eu e Andrea Kogan, amiga e professora especialmente convidada para a festa.
Em tempo: ontem (4 de dezembro) acabou a primeira defesa de professor titular da EACH. Levaram a titularidade a Profa. Dra. Maria Cristina Motta Toledo e o Prof. Dr. Jorge Boueri Filho, os dois primeiros titulares da EACH.

sexta-feira, 28 de novembro de 2008

Entretenimento - uma crítica aberta


Saiu no final de novembro a segunda edição do meu livro Entretenimento - uma crítica aberta (São Paulo: Senac, 2003;2008), em uma versão atualizada e ampliada. O livro completa cinco anos e foi um dos que mais gostei de escrever. Gostei pela temática, que me acompanha desde a infância, pelo que aprendi e pelas discussões que gerou. Esse livro foi minha tese de livre docência na Escola de Comunicações e Artes da USP, defendida em 2003, quase dois anos antes de eu ingressar na universidade como docente.

Pelo menos uns 30% do conteúdo que pesquisei veio através da internet. Durante três anos mergulhei em livros, artigos, revistas, sites e viagens em busca de informação para minha pesquisa sobre os aspectos econômico e cultural do entretenimento. Encontrei os raros Diários de Goebbels num sebo em New Orleans; aproveitei grande parte do material do acordo Disney/Senac-SP que coordenei; vi os parques temáticos da China e da Europa; acompanhei a transformação de antigas áreas urbanas degradadas em centros de entretenimento (Toronto, Buenos Aires, Barcelona, Salvador, Madrid, Lisboa, Berlim); perambulei pelas estrelas do entretenimento (Las Vegas, Cingapura, Dubai); fui a shows, assisti milhares de filmes e peças de teatro e conversei com pessoas ligadas ao mundo das artes, da cultura e do entretenimento.

Deixei a imaginação voar. Usei analogias literárias e ousadas na tese, algo do tipo: o entretenimento é como o sabor de framboesa no preservativo... Tudo pelo lúdico, pelo hedonismo e pelo bom humor. "Why so serious...?"

... e o livro surgiu depois de alguma experiência com outros textos, aulas, palestras e discussões acadêmicas. Faz parte de uma família bilbiográfica e de uma linha de pesquisa que se desdobra no tempo e no espaço. Foi um dos meus livros mais divulgados na mídia: fui ao Jô Soares, saiu matéria no caderno Mais! da Folha SP, no Valor Econômico, Gazeta do Paraná, Diario do Nordeste e em vários jornais e boletins específicos de mídia no país. Hoje, Entretenimento é uma das disciplinas do curso de Lazer e Turismo da EACH-USP, onde sou o professor.

Esta segunda edição veio atualizada e ampliada. O eixo do texto continua plenamente estabelecido e após cinco anos já deu para confirmar algumas tendências apontadas. Vários quadros puderam ser comparados, pela internet, nesse espaço de cinco anos e várias recomendações foram retomadas e ampliadas. Abro o texto com uma referência ao vampiro Lestat, personagem ícone de Anne Rice. Daí, recentemente, a mulher converteu-se ao catolicismo e deixou de escrever sobre vampiros, agora escreve sobre a infancia de Jesus (ainda bem que surgiu a Stephenie Meyer). Tive que explicar aos leitores que Lestat já era mas que sua imagem permanecia válida e lá está ele na prmeira página, com os caninos afiados e sua sede permanente de sangue.

Há outros projetos em andamento, aguarde 2009. O mundo é vasto e o conhecimento infinito, pelo menos até onde a gente entende algo desse universo maluco.

Por hora, fico contente com a segunda geração dessa cria. Faz-me lembrar desde o longo caminho da pesquisa até os momentos da defesa da tese, das brigas com a banca até as lindas flores amarelas que recebi de uma grande amiga no final, após a aprovação.

quinta-feira, 27 de novembro de 2008

Livre docência na EACH-USP

O final do ano está sendo pródigo em concurso na Escola de Artes, Ciências e Humanidades da USP. Há concursos para novos docentes, semana que vem teremos os dois primeiros professores titulares da Escola e tivemos os concursos de livre docência. A carreira acadêmica nas universidades estaduais paulistas (e algumas outras universidades públicas do Brasil) classifica os professores em especialistas, mestres, doutores, livre-docentes e titulares. A livre docência é um concurso público e exige um tempo deatuação como doutor, produção cientifica e relevância em pesquisa. É o maior titulo acadêmico no Brasil. O concurso de titular, o topo da carreira, exige ainda mais experiência e inserção acadêmica.
O prof. Ricardo Uvinha defendeu sua livre docência nos dias 25 e 26 de novembro. Aí está ele escrevendo sua prova com o ponto: Lazer, turismo e esportes.


Aí está a banca: Nelson Carvalho Marcellino (aposentado da Unicamp e atualmente na Unimep);, Beatriz Helena Gelas Lage (aposentada da USP); eu, em pé; Tizuko Morchida Kishimoto (USP) e Heloísa Helena Baldy dos Reis (Unicamp). É um concurso longo (de 2 a 3 dias) e em quatro fases: aula de erudição, análise do memorial, prova escrita e defesa de uma tese inédita. A tese do Uvinha foi sobre lazer, turismo, esporte e educação na China.

Logo após a defesa, quando a banca considerou o candidato aprovado...

... rolou um coquetel animado. A noite acabou em um bar perto do MASP onde cervejas, risadas e tacos baianos rolaram generosamente.

Semana que vem, no blog, avisarei os resultados do concurso de professor titular. Há cinco candidatos para duas vagas. Tem disputa no pedaço. Obs.: o concurso de livre docência não implica em disputa popr cargo, o candidato disputa com ele mesmo e é aprovado ou reprovado.