quarta-feira, 24 de dezembro de 2008

NATAL - festa da luz


As origens pré-cristãs das festas de final de ano remetem ao solstício de inverno no hemisfério norte, o dia mais curto do ano, em pleno inverno. Ora, depois do dia mais curto do ano começa o lento mas firme processo de dias e dias cada vez mais longos. É o nascimento da luz, que atingirá sua plenitude nas fogueiras do solstício de verão (o dia mais longo do ano), em junho, também no hemisfério norte.
Com a consolidação do cristianismo as festas pagãs do solstício de inverno transformaram-se no Natal. Mas continua sendo a celebração do nascimento, a festa da vida. São duas festas que celebram a vida e a liberdade (ou a ressurreição): o Natal e a Páscoa, esta última também comemorada, em seu contexto próprio, pelos judeus. Sempre festejando vida.

Qual vida comemoramos? A nossa, de nossos amigos e parentes, dos vizinhos, dos desconhecidos, dos que gostam e dos que não gostam de nós, das outras tribos, da vida inteira existente no planeta. E se houver vida em outros planetas, de outros sistemas solares, de outras galáxias, também sintam-se celebrados nesse ecumenismo inter-galáctico. A vida é algo único e articulado em nosso planeta. Um fluxo incessante que se esparrama pelo mundo. Uma benção rara no universo gelado, imenso e incognoscível. Então vamos viver nossas vidas sem encher o saco dos outros, sem aporrinhar a nossa própria mente e exercendo o direito raro e recente de nossas liberdades individuais e consciências coletivas sociais.

A imagem que ilustra essa postagem é algo em construção permanente lá em casa, mas fácil de fazer. Dou a receita. Pegue um jarro de vidro GPC (grande prá cacete) e encha aos poucos com rolhas das bebidas que degustar com as pessoas queridas de sua existência. No meio das rolhas coloque algumas bolas de Natal ou o que você quiser que fique bonito e ao seu gosto. Depois é só colocar o jarro ao sol e fotografar em um dia sem nuvens, quando até as linhas das montanhas distantes são perfeitamente visíveis no horizonte sem nebulosidade. Sirva aos convidados com algumas linhas de texto, leves mas significativas, sem melodramas ou poesias anódinas copiadas de outros sites da internet. Vá enchendo o jarro e, no próximo ano, poderá mostrar os progressos lúdico-etílicos à comunidade enlevada.
Para não dizerem que soneguei os evangelhos, aqui vai um trecho, mas do evangelho apócrifo de Tomé (não aceito pelas igrejas oficiais cristãs), que tem tudo a ver com a psicanálise:
"Se trazes à tona o que está dentro de ti, o que trazes à tona te salva. Se não trazes à tona o que está dentro de ti, o que não trazes à tona te destrói."
Jung disse algo parecido: "Aquilo que não fazemos aflorar à consciência aparece em nossas vidas como destino."

Feliz Natal, com muito sentido e significado, seja você cristão, judeu, islâmico, budista, ateu, agnóstico, xamânico, hinduísta ou o que seja, afinal, Deus não tem religião mesmo.

terça-feira, 23 de dezembro de 2008

Curitiba - astros, chopp e livros

Depois de visitar papai em São José dos Pinhais (veja postagens anteriores), fui para Curitiba rever velhos amigos e as coisas da cidade. Eu gosto, dos shoppings, dos bares, das ruas e lojas descoladas do Batel-Soho e arredores. Inclusive, temos um velho (mesmo) amigo da nossa adolescência, passada em uma comunidade de jovens católica, que mudou-se para lá. Hoje é empresário austero e, nas suas longas horas vagas, tornou-se astro de publicidade na TV. Já fez filmes para a Skol, Volvo e várias campanhas nacionais e regionais.

Aí está ele, Welington dos Santos, fazendo pose de celebridade deslumbrada com as notícias do seu mundo glamuroso. Em sua página no orkut ele define-se: "Sou louco mas não insano, embora esteja sempre a um passo disso." Pelo menos a auto-crítica está calibrada.


Enquanto tomávamos um chopp num dos bares do Batel, passou um diretor de filmes publicitários, viu o astro entornando com este amigo que vos escreve e já pediu seu telefone para uma nova missão artística. Nessa foto ele já está lendo o roteiro, na mesa do boteco.

Telecomunicações, arte, imaginação e chopp. O segredo dos astros seniores da Hollywood brasileira.

Essa turma é de estudantes de cinema do Centro Europeu que foram pedir para ele fazer uma ponta em seu trabalho de conclusão de curso. Um artista apóia a educação.

Tomei o café da manhã nesta livraria. espaço amplo, pãezinhos quentes e deliciosos, bebidinhas aconchegantes e ... livros.

Ver seu livro na estante em uma cidade por aí: não tem preço. Esse aí é o América e outras viagens (Campinas: ed. Papirus).

O tempo nos mostra que a desejada contemplação aristotélica do mundo passa por encontros pessoais e com nosso imaginário: livros, filmes, fotos, musica, enfim, a arte.

É interessante como basta mudar de cidade ou estado para descobrir novos titulos e autores, temas e antiguidades, ilustrações e textos nunca antes conhecidos ou perdidos nos novelos da memória.

O cantinho de comes e bebes da livraria, onde tomei o café da manhã antes de encontrar o astro de nossa geração acima identificado no bar de sua (dele) preferência.
Não encontrei todo mundo que conheço em Curitiba. Final de ano, pouco tempo, compromissos e a vida nos leva de um canto a outro como folhas de coentro aos ventos de outono. Curitiba é uma dessas cidades onde o cenário urbano nos instiga a andar pelas ruas sempre em busca de uma novidade, um ângulo diferente, um traço arquitetônico mais ousado.

Fim de ano na EACH-USP

A EACH (Escola de Artes, Ciências e Humanidades) atinge sua maturidade. Quatro anos após sua inauguração, a primeira graduação acontecerá no início de 2009. São 1.200 vagas por ano em 10 cursos, totalizando quase cinco mil alunos. Em um futuro próximo, pós-graduação para completar as possibilidades de nossa nova escola. Aguardem.

No dia 15 de dezembro fizemos a última reunião do ano com o corpo docente. Aqui estão alguns dos nossos mestres:

Valéria Magalhães (metodologia) e Mariana Aldrigui (hospitalidade).

Edmur Stoppa (lazer) e José Roberto Yasoshima (gastronomia).

Ricardo Uvinha (lazer e coordenador do curso) e Ieda, nossa paciente secretária.

Alexandre Panosso (turismo e epistemologia) e Sidnei Raimundo (geografia e meio ambiente)

Nossas reuniões são tão sérias, produtivas e austeras...

Madalena (sociologia) e Livia Zago (direito) .

Renato Seixas (direito), Marcelo Vilela (Turismo) e eu.

Maria Elisa (metodologia) e Rita Giraldi (lazer).
Alguns docentes não estavam presentes: Eduardo Sanovicz, Edson Leite, Andre Fontan, Luiz Octávio, Jefferson... Enfim, o time está quase completo. Com os dois últimos concursos chegaremos a 22 docentes, um grupo ligado às questões do lazer, turismo, entretenimento, hospitalidade, gastronomia, meio ambiente e questões econômicas, legais e administrativas articuladas à área.

domingo, 14 de dezembro de 2008

Papai numa boa, no Paraná

Fui a São José dos Pinhais visitar meu pai. Ele está aposentado, vivendo perto de uma área verde imensa, pertencente à PUC-PR com sua esposa e acaba de inaugurar um chalé estiloso e personalizado onde vive, tranquilamente, sua fértil maturidade.

Aí estamos nós, Luiz Trigo e Lima Trigo, momentos antes do almoço.

E aí está ele, precupado com o churrasco de sábado e com a viagem de janeiro em um navio com alguns amigos. Na verdade, 130 amigos, a maior parte do Círculo Militar do Paraná. Ele adora turismo, hotelaria, educação, exercícios etc. Tenho a quem puxar, né? A não ser pelos exercícios...

Ele com sua esposa. Marli, que viaja junto no imaginário e ne realidade cotidiana.

Este é o "quintal" da casa de papai. O countryside paranaense com seus campos, matas e lagos. Esse cenário pertence ao campus da PUC de São José dos Pinhais e é vizinho da casa.

Dá para perceber que São José não é apenas uma cidade com montadoras de automóveis, fábricas de autopeças e sistema financeiro nervoso. Ainda há muito espaço para relaxar.

Eles vivem extremamente preocupados e ansiosos.... Olha que atmosfera mais tensa. Aí estão escrevendo seu blog: http://www.confrariareinetuno.blogspot.com/ . Meu pai fez educação física na escola da Praia Vermelha do exército, no Rio, depois fez pedagogia e direito. Trabalhou em vários lugares descolados e conheceu minha mãe em Campinas, em 1958, quando servia na Escola Preparatória de Cadetes do Exército. Mamãe era professora e pelo jeito adorava uma farda. Qualquer dia eu escaneio as fotos do casamento e mostro aqui. De resto, Curitiba e arredores estava cool. Depois eu conto mais.


quinta-feira, 11 de dezembro de 2008

BR-116 Regis Bittencourt - São Paulo/Curitiba

Dessa vez é de carro. Vim para Curitiba visitar meu pai e ver como a estrada, recentemente entregue para concessão privada, está sendo trabalhada.

A via melhorou mas ainda há um trecho de mão dupla bastante chato, entre São Paulo e Registro. Várias praças de pedágio estão em construção e as obras exigem atenção dos motoristas. Está vendo a curva acima?
O caminhão não viu. O acidente foi hoje (11/12) às 03h00. O motorista não se machucou e estava por lá. Quando desci para fotografar perguntei o que acontecera. Ele falou que a área estava mal sinalizada.
Caminhão bastante danificado e a carga de pneus esparramada.

Veja que não há sinalização e nem defensas na pista. Entre São Paulo e Curitiba nesse dia havia 3 caminhões e um carro tombados no acostamento. Não tirei fotos de todos os acidentes porque estava chovendo e queria chegar logo, mas isso revela como a estrada ainda está perigosa e exige muita atenção.

Olha o tamanho do tubulão que ficará embaixo da praça do pedágio.

A rede Graal tem 3 postos entre Registro e a divisa de SP com PR. O Petropen é antigo e foi totalmente remodelado quando foi absorvido pela rede.

Olha o preço do álcool. Baratinho, não?

Perto de Registro (SP) as passarelas e viadutos comemoram os cem anos de imigração japonesa. Cororido, né?


Depois conto as novas de CWB.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Christmas at Paulista Avenue - São Paulo

São Paulo está decorada e iluminada para o Natal, desde o centro, até Moema, Jardins, Tatuapé, Lapa e todo o entorno da cidade. Escolhi a avenida Paulista para umas fotos diurnas do devaneio natalino. Quem, no Brasil, tem mais dinheiro para decorações e festas? Claro que os bancos. Ao contrário dos EUA, os bancos brasileiros já sifu no passado e agora desfrutam dos tempos dourados e podem enfeitar suas fachadas. Aliás, a torre do Santander Banespa, no centro, merece um dez pela decoração. Espero que um dia os serviços do banco cheguem ao nível de seu gosto estético, mas isso nem Papai Noel...


Esta sacada boludíssima é do Itaú Personalitté.

O Real Santander criou em seu espaço interno temas de Natais de todo o mundo. É maior espaço decorado e aberto à população na av. Paulista.

Três gerações se admirando e curtindo aquilo que o Natal e a Páscoa mais celebram: a vida.

Pantagruélica refeição dos Papais Noéis no espaço Real-Santander.

Outrora maior banco privado do Brasil, o Bradesco Prime inovou trazendo o trem do Papai Noel para a Paulista. Os veadinhos ficaram desempregados e os anõezinhos tiveram que carregar além dos presentes, o carvão todo a bordo, ou seja, o clima no pólo norte ficou mais gélido com as mudanças mas o bom velhinho ouviu as reclamações, tirou os óculos, coçou as barbas brancas e vaticinou: vão sifu.

Janelas do Bradesco Prime.

São Paulo tem facetas absolutamente pós-arquitetônicas que ficam bem com um toque disneyano de festas sacras.

Não podia faltar a minha igreja particular: São Luiz Gonzaga, o santo jesuíta que morreu aos 22 aninhos puro, casto e virgem. Bem, ele já fez os sacrifícios por todos seus xarás, portanto vamos comemorar. A igreja está discreta e elegantemente decorada, como é de praxe com a estética e sobriedade jesuítica.

Essas bolas prateadas e douradas pendem dos postes de sinalização no meio da avenida e à noite lançam uma esteira de brilho pairando sobre o congestionamento cotidiano.

E aí está o maior banco privado do Brasil. Seguindo a tradição do antigo Bank Boston, fagocitado pelo Itaú, os novos donos resolveram continuar a decorar o belíssimo casarão. Quem sabe agora, com a aquisição do Unibanco, aquele que nem parecia um banco, o Itaú mantenha, além das fachadas natalinas, a qualidade dos cinemas que Unibanco desenvolveu pelo país.

Uma fachada toda feita para você. Aliás, sobre bancos, qual o melhor banco do mundo? Qualquer um, desde que você não precise dele.

Quando se fala em fazer decorações com material reciclado, a possiblidade do resultado ser um lixo é bem grande. Neste caso isso não ocorreu, se bem que a estética resultante pode ser questionada, mas tem seus méritos. A árvore de Natal, na esquina da Paulista com Consolação, foi feita com latas de alumínio, garrafas pet e estrados de madeira.

E ela tem um painel de energia solar no alto que garante autonomia para suas luzes. É uma árvore sustentável, ecológica e sua estética parece proclamar: me reciclei, e daí?

Gostei da árvore pós-lixo e aí está sua ficha técnica.
Inicio amanhã uma viagem para ver papai, em Curitiba, onde as luzes são igualmente fascinantes, e na volta conto as novidades da estrada.