sexta-feira, 9 de maio de 2008

Expo Tur Vitória-ES

Estou em Vitória, ES. Sexta-feira de sol, céu azul, tempo cálido.
O ExpoTur é um tipo de Salão do Turismo local, seguindo bem as diretrizes do Plano Nacional de Turismo do Ministério. O estado entendeu que não pode mais ficar marcando, entre Rio e Bahia, como mero espectador. Precisa apanhar os turistas que passam e mantê-los felizes na região.
Encontrei velhos amigos: Mário Petrocchi, grande mestre e escritor, sempre de bom humor; o Dionísio, diretor regional do Senac-ES, não estava no estande mas sei que continua fazendo discípulos na universidade Vila Velha. Cumprimentei o secretário de Turismo Marcus Antonio Vicente pelo trabalho em geral, mas especialmente pelo excelente desempenho do projeto Caminhos do Futuro na região. Revi o Raimundo Peres. Ele trabalhou na Bahia, Foz do Iguaçu e agora está no Convention bureau da região metropolitana de Vitória. É um cara que entende o turismo de forma integral, articulando regiões, temas e opções que se complementam. Quando ele estava em Foz do Iguaçu já falava que tinha que vender Missões no Brasil Paraguai e Argentina e o Pantanal. Mente sadia, vê as árvores e o bosque.
Encontrei colegas docentes e ex-alunas, uma até me deu um quati de pelúcia, lembrança do estande de Foz. Está no meu apartamento de hotel.
Amanhã será minha palestra sobre Ética e Turismo. Às 14h00. Mas antes tenho um encontro com a moqueca capixaba de siri catado, no almoço. Ô saudade!

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Baiano é mais burro que os outros?


Claro que não. Esse tipo de discurso tem cheiro, cor e forma de racismo.

Fui ver o currículo Lattes do Prof. Antonio Natalino Manta Dantas, ex-coordenador do curso de Medicina da UFBA que afirmou que os baianos tem menos condições intelectuais, desancou o berinbau e outras bobagens rastaqueras. Que currículo ruim, hein professor?


O currículo Lattes é um documento público para docentes e pesquisadores. Veja abaixo a cópia que fiz do currículo dele: está dois anos desatualizado (acesso em 05/05/2008). O cara sempre foi um burocrata e tem pouca coisa publicada. Pode acessar pelo link para conferir.


Última atualização do currículo em 22/05/2006 Endereço para acessar este CV: http://lattes.cnpq.br/2799698665332386


Vamos aos fatos:

1. Ele, como ex-coordenador (renunciou hoje) deveria ter seu currículo atualizado, pois é obrigação de todo docente ou pesquisador para que as pessoas saibam de suas atividades. Ter o Lattes desatualizado é um mau sintoma para quem está na ativa;

2. Ele tem um perfil bastante administrativo. Pouca pesquisa e publicações. Com 69 anos é um dos antigos da área, devia saber como falar ou não falar ao público;

3. Uma amiga me disse que alguns estudantes da medicina da UFBA teimam em não fazer o provão e isso ajuda a derrubar a nota. Por que ele não chamou a atenção dos seus alunos, se é que isso é procedente?

4. Esse discurso ainda é muito recorrente no Brasil. Revela um racismo, um preconceito encardido, um ressentimento rançoso e uma completa falta de visão mais avançada da sociedade e da cultura.

5. Não há povos ou raças inferiores (mais estúpidas, mais preguiçosas, mais safadas etc.), isso a antropologia já mostrou. Existe o preconceito, a arrogância dos que se acham superiores aos outros, provavelmente porque carregam consigo traumas e complexos do passado. Há manifestações culturais mais complexas ou difíceis de serem criadas e reproduzidas, mas essas manifestações acontecem em todos os segmentos, etnias e classes sociais.

A UFBA já tomou providências. Ele renunciou ao cargo e se desculpou em público. É justo e decente. Burrice é o preconceito. Primitivo é o pensamento, outrora nazista, de que um ser humano pode ser superior ao outro por qualquer motivo (inteligência, genética, força, poder, riqueza, estética...). De resto, o curso de medicina da UFBA que se arranje para ir melhor na próxima avaliação do Ministério da Educação.


Dá-lhe Bahia!


A sociedade pós-industrial ... 10 anos!

Meu livro A sociedade pós-industrial e o profissional em turismo completa dez anos. Foram sete edições pela editora Papirus, de Campinas.
O livro é a minha tese de doutorado (Filosofia da Educação, Unicamp, 1996) adaptada para o mercado editorial, quer dizer, sem tabelas e outras coisas chatinhas que uma tese precisa ter.

Foi uma delícia escrever esse texto. Fiz o doutorado entre 1993 e 1996 e passei os últimos dois anos no Grande Hotel São Pedro, do Senac, em Águas de São Pedro, onde escrevi a maior parte da tese na tranquilidade das águas. Morava em Campinas uma parte da semana, pois dava aulas na PUC-Campinas, e a outra parte ficava em Águas. Trabalhava bastante implantando a faculdade no Hotel-Escola, mas também tinha todas as mordomias do hotel.
Defendi a tese em 1 de outubro de 1996, no salão de defesas da Faculdade de Educação da Unicamp. Banca boa e braba: Nelson Carvalho Marcellino, Constança Marcondes César, Newton Aquiles von Zuben, Janete ... (droga, esqueci) e o meu super-orientador Régis de Moraes. Passei com nota máxima. Lembro que fomos comemorar com um almoço em Barão Grealdo, num restaurante de frutos do mar que não existe mais.
Aí a minha amiga Margarita Barretto aceitou o texto para a Coleção Turismo, da ed. Papirus. Me ajudou a editar, deu palpites mil, aconselhou e finalmente, em 1998, lançamos a criatura. O lançamento foi no bar do Rubem Alves, em Campinas, mas houve lançamentos também em São Paulo e em alguns lugares do Brasil.
O livro não será re-editado. Livros também morrem, ainda mais depois de todas as mudanças nacionais e globais da última década. Não é um livro perene e sim um texto que pretendeu analisar determinado período histórico. Depois que ele se esgotar ficará nas bibliotecas e sebos da vida. Mas outro livro o substituirá, em breve. Aliás, o Análises regionais e globais do turismo brasileiro (2005) e Entretenimento - uma crítica aberta (2003), em parte o substituem.
Fica aqui meu contentamento pelos dez anos e sete edições deste livro que tanto significou na minha vida pessoal e acadêmica.


Fotos descoladas de Marisa Vianna, baiana

Marisa Vianna é uma fotógrafa descolada de Salvador. Seu site é http://www.marisavianna.com.br/ .

Sua temática é urbana, religiosa (igrejas e candomblé), natureza, praias, festas e aquela trama dos tambores e cores que forma a capital baiana. Veja mais fotos no site.


Em 2002, ela publicou um livro de fotos delicioso chamado Salvador cidade da Bahia.




Recentemente ela publicou as fotos em preto e branco, com pequenos detalhes coloridos, na forma de um livro que se divide em cartões postais. As legendas são de Mag Magnavita.



Essa foto tirada ao lado do elevador Lacerda, cidade alta, ao lado daquelas balaustrada que se dependuram sobre a cidade e o mar. Devia ser uma madrugada de carnaval e uma criatura festiva sentia a brisa e olhava o oceano através de seus véus etílicos e eflúvios bem-cheirosos do loló.


domingo, 4 de maio de 2008

Feriadão morgado


Ainda bem que não fui à praia tomar chuva e nem para o Rio Grande do Sul, no ciclone. Fiquei em casa, morgando. Escrevi um pouco, comi bem, fui ao cinema (Iron Man, very cool) e visitei uns parentes. E dormi acintosamente.

A semana será mais ou menos tranquila. Dia 10 estarei em Vitória (ES), dando uma palestra sobre Ética e Turismo num evento do estado do Espírito Santo. Matarei a saudade da moqueca de siri catado (ou desfiado, sei lá).

Esses dias de outono tem uns crepúsculos delirantes. Se não chover, então, é demais. Os dias mais frios ajudam o processo de beber/comer/dormir e daqui a pouco a gente já pensa onde viajar em julho. Mas antes tem as festas juninas, as provas na facu, alguns compromissos agendados e um imenso texto para terminar até meados de junho.

Por ora, saudades das últimas férias de julho...

sexta-feira, 2 de maio de 2008

Momentos da Aviesp 2008

Imagens da festa da Aviesp, em Águas de Lindóia (SP). O povo na noite de sexta-feira estava animado. Veja o texto no meu blog, no mês de abril 2008.

Tom Cavalcante na noite da CVC (em parceria com o Ceará), fazendo suas gracinhas.


Guilherme Paulus (CVC) em ótimo humor, apresentando a noite de show e jantar da sexta-feira. Paulus escreveu o prefácio do livro sobre segmentação em turismo (organização Alexandre Panosso Netto - USP e Marília Gomes dos Reis Ansarah - UNIP), que será lançado no início do segundo semestre pela ed. Manole. Todos os turismólogos doutores lá estarão, cada um com um texto específico. Não perca. Avisarei na época do lançamento.


A festa da Aviesp foi cool. Acima, William Périco e eu fazendo a maior pose séria na solenidade de abertura. Leia texto sobre William no meu blog, (abril, 2008).



Investment grade - o que esperar de bom?

O Brasil entrou formalmente no segmento dos países melhorzinhos para se investir e negociar. Eu penso que é um avanço significativo. Na internet, os comentários se dividem em: o mérito é dos governos anteriores; o mérito é do atual governo; isso não adianta nada porque os problemas do país permanecem. Vamos aos fatos:

1. O Alain Minc escreveu, em 1994, no livro A nova idade média, que "Se a Rússia conseguir algum dia trocar seu caos por uma desordem como a do Brasil, terá ganho a partida." (São Paulo: ed. Ática, p. 41). O resto do BRIC (Brasil, Rússia, Índia e China), a Turquia, o México, tem um monte de problemas e nem por isso deixam de celebrar suas vitórias pontuais.

2. Imagine se fosse o contrário? Se o país tivesse sido rebaixado no ranking mundial de investimentos. De quem seria a culpa? Do atual governo, claro. Portanto a quem cabem os méritos? A vitória tem muitos pais, mas a derrota é orfã.

3. Ainda há muito a ser feito. Por exemplo, a FIAT investirá R$ 6 bilhões no Brasil, até 2010; a telefônica investiu US$ 10 bi, nos últimos dez anos. Las Vegas está investindo US$ 12 bi em projetos turísticos; Cingapura investirá US$ 15 bi em projetos de lazer e turismo até 2012. Há muito dinheiro rolando no mundo a procura de um ninho seguro para procriar.

4. O país tem petróleo, água e alimentos. Tem a gente, um povo doido e legal. Tem territórios imensos a espera de desenvolvimento (sustentável, de preferência). Tem indústria, serviços e setor agro-pecuário. E temos os nosso problemas, como os outros países nesse lado da galáxia. Chega do "complexo de vira-lata" do Nelson Rodrigues. E chega também de ufanismo babaca.

Às festas! Ao trabalho!